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quinta-feira, 29 de junho de 2023

Cerveja Nocal e Museu da Cerveja


Creio que a primeira vez que me dei conta da existência da Nocal foi no museu da cerveja no Terreiro do Paço em Lisboa, na altura em que o menu de cervejas daquele restaurante contemplava as de Portugal continental, insular e de países oficiais de língua portuguesa. Tinham um vasto leque originárias de Angola, Moçambique, Açores, Madeira, Brasil, etc...Um conceito do qual eu apreciava muito e que hoje infelizmente já não é assim, embora a aposta seja agora nas artesanais nacionais o preço de cada não é nitidamente para o bolso do Português comum. 

Copo Júlio Pomar
https://www.museudacerveja.pt/museu/

Relevo o curioso copo exclusivo do museu assinado por Júlio Pomar, com a forma de uma meia garrafa invertida revestido a vidro, e o próprio museu, que tive oportunidade de visitar e que faz jus ao imenso e rico patrimônio histórico e legado cervejeiro do nosso país, ali se pode seguir em painéis a evolução histórica desta bebida e alude as principais marcas com raízes nacionais. pelo menos assim me pareceu.

No final uma pequena prova de uma Sagres Bohemia em copo de barro que ainda guardo, servida por um monge numa sala a simular uma adega monástica. Apreciei muito e gostaria de lá voltar um dia.


Monge Museu da Cerveja
https://www.museudacerveja.pt/museu/

Copo de barro oferecido

Regressando à Nocal, é produzida desde 1960 e a segunda cerveja a ser produzida em Angola e por isso uma marca histórica no país. conhecida pela sua qualidade superior é apreciada pelos consumidores mais exigentes. Celebra os bons momentos de convívio e festa, da noite, do Afrobeat, do Afrohouse, celebra o poder de escolha e de quem sabe o que quer. (*1). Como a Cuca, faz parte do grupo Castel Angola.

É a segunda cerveja de Angola que bebo depois da Cuca, é uma cerveja de cor dourado claro, transparente e boa carbonatação, boa formação de espuma de dois a três dedos de espuma branca, boa retenção, ficando um rendilhado de espuma no copo. Aroma a malte e um bocadinho cítrico. Sabor de malte, um bocadito metálico e com ligeiro amargor no final. é uma cerveja leve e refrescante com 5% ABV. Cerveja fácil de beber e de boa qualidade 


(*1) https://grupocastelangola.com/produto/cervejas/nocal/nocal/ 



sábado, 29 de abril de 2023

Cuca Preta (...e a história de Manuel Vinhas, o empresário que fundou a Cuca)


E do país dos nosso amigos irmãos Angolanos eis que chega à prova uma Cuca preta, sinônimo de qualidade desta marca a que já nos habituou, as minhas expectativas não foram pois defraudadas.
"À cor escura e essência encorpada, juntamos um aroma intenso e sabor torrado para produzir uma cerveja preta de eleição para verdadeiros apreciadores.", pode ler-se no site do grupo Castel (*1)


E curiosa é a história que encontrei por acaso na net, sobre Manuel Vinhas, o empresário que fundou a cervejeira Cuca. Conta-nos a história de um descendente de uma família com negócios ligados às industrias, nascido em Lisboa em 1925. Principal acionista da sociedade central de cervejas, fundou em Luanda a Cuca em 1952, numa altura que já tinha em Portugal a Sagres, a Skol no Brasil e a Laurentina em Moçambique, e um império de mais de 52 empresas em ramos tão distintos como a produção de garrafas, criação de galinhas, exploração de vegetais, uma fazenda de maracujá ou plantações de café. Fundou ainda o Banco Comercial de Angola, na altura o edifício mais alto das colónias portuguesas, finalizado em 1967.
Por volta de 1950 a cerveja era importada e a sua introdução em 1956 foi um sucesso imediato. Durante a sua vida leu e escreveu muito. Nos anos 60 foi preso, teve residência fixa e impedido de viajar. Escreveu "Para um diálogo sobre Angola", opúsculo retirado pela censura e conotado de coloborador com os "terroristas" do MPLA. Era a sua teoria que não se devia fazer a guerra em Angola, mas promover o desenvolvimento económico do país.
Após o 25 de Abril, as suas contas bancárias e da sua família foram congeladas deixando a sua esposa sozinha com salários e contas para pagar. De Angola viajou para o Brasil em 1975 onde se exilou. Morre em Salvador dois anos depois com 57 anos.
Um mês depois o seu corpo chega a Lisboa, e os funcionários da sociedade central de cervejas entopem o trânsito da cidade com as suas carrinhas de distribuição para se despedirem do antigo accionista da empresa. (*2). Também a revista Sábado escreveu uma reportagem sobre este empresário, que também foi um humanista, viajante e amante das artes, e da qual deixo o link embaixo. (*3)



Adquiri esta cuca preta em lata no lidl, com 5.5% ABV, é uma cerveja de cor escura, castanho muito escuro e tons de cobre, formação de espuma bege com um a dois dedos, retenção mediana que se vai perdendo mas que deixa um rasto no copo. Aroma a chocolate, a malte tostado, doce, talvez cacau. O sabor é idêntico a malte tostado, com algum amargor mais também algo de adocicado. É uma cervaja que não me desiludiu tal como a cuca normal da qual eu gosto e é uma boa cerveja preta e bem elaborada