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quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Matiné com aroma de memórias


A pretexto desta Matiné da Dois Corvos embalo para algo que me soa bem e me traz boas recordações: As Matinés, estas não eram só as do cinema à tarde, das quais eu gostava e ainda gosto muito, tantas e tão boas no cinema Império, para ver um Starwars, um Superman, uma Lenda da Floresta, filme pouco
conhecido do Ridley Scott com o Tom Cruise (*1), em que eu e os meus amigos vínhamos de São Domingos de Benfica como numa excursão ao centro da cidade, ou mesmo nos Alfas triplex e outros cinemas de Lisboa, mas também as matinés das discotecas (*2), como as do Crazy Nights em Picoas, em que juntamente com os meus saudosos e grandes amigos Nuno "Polaco" e Hugo Epifânio, lá parávamos num espaço a abarrotar de gente. Mais tarde, e às 4ª Feiras senão me engano, lá ia com o meu também saudoso e grande amigo Jorge Jardim, depois das aulas no Liceu D. Filipa de Lencastre, às matinés do Central Park, dentro do centro comercial São João de Deus, para num espaço com menos gente e mais confortável para mim, beber um (ou mais) copos de Pisang Ambon com sumo de laranja. 
Que saudades desses tempos meu deus, e que saudades de tantos locais e de tanta gente que partiu desses tempos, de um tempo em que como se costuma dizer era feliz e não sabia.
E aproveito para, com um brilhozinho nos olhos como diria o Sérgio Godinho, mudar a agulha para falar desta cerveja da Dois Corvos.
Trata-se de uma session IPA, que combina malte e aveia, assim como lúpulos mosaic e citra, usando-se o dry-hopping resultando num aroma e sabor de intenso perfil a citrinos e frutos tropicais. (*3)
Para mim é uma das melhores cervejas da Dois Corvos (que provei, é claro), é uma cerveja que se bebe muito bem, é leve, faz uma ótima formação de espuma branca de dois ou mais dedos, uma retenção douradora, de cor dourado escuro, quase límpida e algo turva. O aroma é fantástico a frutos tropicais, é fresco, cítrico, a ananas. Muito bom. Na boca tem essa leveza e facilidade de se beber, mas com amargor acentuado no fim, bem apurada e com personalidade. Com apenas 4.5 % ABV. Quanto à imagem tem o crivo das Dois Corvos, sempre com rótulos extremamente engraçados tanto o da renovada imagem com um urso com óculos 3D ? assim como o anterior em tons mais quentes.




(*2) https://www.dn.pt/vida-e-futuro/febre-de-sabado-a-tarde-vai-voltar-a-estar-na-moda-12488295.html

(*3) https://shop.doiscorvos.pt/products/matine-session-ipa

* Foto do Crazy Nights retirada do seguinte grupo do facebook:

https://www.facebook.com/groups/229079017219788/media



quinta-feira, 12 de maio de 2022

Doce Murmúrio


Permanecemos ainda pela Dois Corvos para avaliar a Murmúrio, que me fez recordar uma antiga canção dos Xutos numa altura que estava a cumprir serviço militar no Lar da Cruz Vermelha Portuguesa que tanto me marcou. Ora contava a letra de uma cidade com uma ponte de ferro apontada ao luar e de uma saudade do lar (na altura recordo o amigo a dizer que a música falaria de Paris, o que faz sentido). Nessa canção "Doce Murmúrio" havia uma parte assim: "Nessa cidade, numa outra noite, já perdido o olhar, ouviu um murmúrio, um doce murmúrio que o fez acordar, procurou por cima, por baixo das pontes, junto às portas ao fechar, por onde passou já só encontrou uma saudade no ar...Longe, longe tão longe do Mar".

E desse doce murmúrio passamos para esta cerveja que sussurra, fala baixinho e é discreta, mas sabe sempre bem. (*1) 


É uma American Amber Ale com 5.6 % ABV, elaborada com lúpulos americanos, de cor âmbar escuro, muito escuro, formação de um dedo de espuma bege com pouca retenção. Sem sedimentação e carbonatação por ai além. Aroma a malte e caramelo. Sabor idêntico a malte e caramelo. Final de boca sem grande amargor e final talvez seco. De corpo leve e equilibrada, mais uma boa cerveja da Dois Corvos.



(*1) https://shop.doiscorvos.pt/collections/permanentes/products/murmurio-american-amber-ale

(Braço de) Prata

E continuamos pela Dois Corvos, cervejaria perto da zona do Braço de Prata, precisamente para a prova desta...Prata. E no seu original rotulo, sempre com imensa piada, a Dois Corvos conta-nos a história de uma cavaleiro que em pleno sec. XVII, após perder o seu braço numa batalha engendra outro feito de prata. Bem eu diria que é mais consentâneo referir que aquela zona terá o seu nome devido à antiga fabrica de armamento do Braço de Prata, que produziu entre outras armas, a famosa G3. Mas alguém mais entendido nesta matéria o saberá melhor do que eu. (*1)  

Voltando a esta pilsner, a Dois Corvos, apresenta-nos esta receita com uma variedade de lúpulos Alemães de baixa percentagem de alfa-ácidos, que produziram intensos aromas herbais, provenientes do seu uso na fervura e Whirlpool. (*2)

Elaborada com malte pilsner, é uma cerveja de cor amarelo, aspecto turvo, com boa formação e excelente retenção de espuma branca. Aroma muito fresco, cítrico, a limão. Cerveja com paladar floral, um pouquinho de amargor, presença de acidez e carbonatação forte. Com 5.0 % ABV, esta Prata é uma excelente sugestão para os dias tórridos de verão.  

(*1) https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1brica_de_Bra%C3%A7o_de_Prata 

(*2) https://shop.doiscorvos.pt/collections/permanentes/products/prata-pilsner


quarta-feira, 11 de maio de 2022

Dois Corvos Gálaxia (e uma Marvila emergente)


Da zona de Marvila, chega-nos a A Dois Corvos, fundada no final de 2013, data em que Susana Cascais e Scott Steffens fundaram a empresa durante a época negra da recessão económica em Portugal, e quando a variedade de cerveja em Lisboa não existia. Em 2014 foi adquirido o equipamento e instalada a fábrica em Marvila. No verão de 2015 foram produzidas e lançadas as primeiras cervejas e no final desse ano o Taproom abriu as portas ao público. 
A Dois Corvos é uma cervejeira familiar e independente, que prima pela inovação, inspiração e qualidade, apostando desde sempre num portfólio variado de cervejas - desde IPAs e Session até Stout complexas, cervejas envelhecidas em barrica, Ales experimentais ou fermentações espontâneas. (*1)


É uma marcas pelas quais nutro imensa simpatia, quer pelos seus originais rotulos, pela qualidade, variedade, ou mesmo por estarem inseridos numa zona da cidade de Lisboa que estava esquecida e degradada, mas que tinha o seu encanto e mistério, e que hoje é uma das zonas que volta a ter uma segunda vida, graças ao aparecimento de várias empresas, restauração, habitação, requalificação da zona ribeirinha, não esquecendo os eventos culturais da fantástica fábrica do Braço de Prata. 



E a primeira cerveja desta pitoresca marca que apresento no blog é a Galáxia Milk Stout, com adição de lactose no processo de fervura, que afirma a doçura final e confere-lhe personalidade na textura. Uma vez que é um açúcar não fermentável, acaba por tornar-se parte da experiência sensorial. (*2) 


É uma cerveja escura, castanho muito escuro, com uma formação de espuma bege e retenção média. Aroma muito agradável a chocolate, um pouco de baunilha. Sabor a malte tostado, suave, com final de boca com amargor que é anulado pelo adocicado do açucar (lactose) que é utilizado na composição. Final de boca adocicado. É uma stout super agradável , com 6% ABV. Sem duvida uma das melhores propostas da cervejaria de Marvila

(*1) https://www.doiscorvos.pt/pt/sobre

(*2) https://shop.doiscorvos.pt/products/galaxia-milk-stout