Um nome da Saigon, fez-me vir à memória o videoclip de uma música que esteve no top dos anos 80, era sobre a guerra do Vietname e repetia-se várias vezes a palavra Saigon. Não sei se quem estiver a ler se recordará, mas tratava-se de uma música em estilo "disco". Esta música cujo titulo era "19" e o seu autor era um tal de paul Hardcastle (algo que só notei passados estes anos todos), abordava precisamente a média dos soldados que eram enviados para esta famigerada e dramática guerra (e qual não é ?)
Vários foram os filmes de cinema que abordaram esta guerra de má memória, entre eles, alguns bem marcantes como o "Platton" com os actores; Charlie Sheen, Tom Berenger e Willem Dafoe, o "Born on the fourth of July" com o Tom Cruise, ambos do Oliver Stone, o "Apocalypse Now" do Francis Ford Coppola, com o Martin Sheen, Marlon Brando e Robert Duvall ou o "Full Metal Jacket" do Stanley Kubrick, alguns destes filmes com excelentes bandas sonoras.
Bem, mudando de assunto e virando a agulha para o principal deste blog; A cerveja, e a que falo aqui hoje, oriunda do Vietname, é a Saigon, ou Bia Saigon para ser mais preciso. É a marca líder da indústria da cerveja naquele país, com cerca de 140 anos de desenvolvimento. O sabor único da Saigon combina o espirito de generosidade dos habitantes daquela cidade e a riqueza da terra do Sul, tornando-a numa parte indispensável do dia a dia. (*1)
Quanto à prova; fez a formação de dois dedos de espuma e retenção média, cor dourada, translucida. Ligeiro aroma a malte como é normal nas lager. O sabor é suave com amargor no final e com sabor também é de malte, é elaborada com arroz, com 4.9% ABV. É uma cerveja que se bebe bem e acredito que saiba bem em ambientes quentes. (Vem-me à cabeça o inicio do "Apocalypse Now" e aquele ambiente abafado e à imaginação um cenário sobre filmes de guerra no Vietname de soldados a beberem uma Saigon nos cafés e bares, sob um tempo abafado e húmido...). A imagem de marca é muito bonita com um dragão sobre um fundo vermelho. Estava com alguma expectativa, e é uma cerveja interessante.
Na procura que fiz há uns tempos acerca de ginger beers, encontrei a Ginger Joe à venda no site de uma mercearia de produtos importados. Dei-me conta de que as referencias eram positivos e pareceu-me ser uma das mais conhecidas no mercado. Na altura encontrava-se esgotada e um belo dia quando vinha do trabalho, e ao passar numa mercearia de comerciantes Indianos, deparei-me com esta bem referenciada cerveja de gengibre. Com um rotulo engraçadíssimo e peculiar alusivo ao típico "moustache" britânico.
A Ginger Joe foi inspirada pelo "Ginger" Joseph Stone , um bigodudo vendedor de verduras em Londres, e ilustre fundador da nobre House of Stone. Conta-nos a história que Joe era fanático pelo tentador sabor da raiz de gengibre, e que o seu primeiro "mergulho no gengibre" por volta de 1740 produziu uma bebida que chamuscou as pontas do seu bigode, imagem essa imortalizada na garrafa.
A versão que bebi foi a de 4% ABV, mas existe uma, que vi pelo sitio oficial da Stones com uma garrafa igual, mas de 50 cl, e com uns interessantíssimos 8%, simplesmente incrível, e digo já, que se um dia poder provar esta "Stong ginger beer" não me vou fazer rogado, ai não vou não.
De cor dourada claro, formação de espuma de um a dois dedos e uma retenção praticamente nula, que desaparece num ápice (o que é perfeitamente compreensível), o aroma é a gengibre, a ginger ale e a lima limão. Quanto ao sabor faz-me lembrar muito um ginger ale, uma bebida de refresco, adocicado, e com final de boca com ligeiro "piquinho" e ardor na garganta típico do gengibre. Já ouvi dizer que é das melhores ginger beers do mercado, já é a terceira que experimento (a 2ª alcoólica) e acho que é bastante agradável e refrescante de se beber.
A Doppel devido ao seu corpo robusto e aos seus 6.5% de álcool é conhecida como a Pulunguza de Angola. A sua formula 100% pura, 100% tradicional e 100% de qualidade, respeita o processo estabelecido pelos monges Alemães desde 1516 (*1).
É comercializada em Angola através do grupo Castel Angola, onde penso que também é produzida nas fábricas que pertencem ao grupo, mas fiquei com a ideia de que na verdade, esta marca é originaria da Republica Democrática do Congo, nomeadamente na Bracongo, segundo o site, a sua cerveja preta mais antiga, mas também presente em vários países africanos. (*2)
Sinônimo de potencia, força, virilidade, é a recompensa perfeita para os mais fortes após um dia de trabalho duro. (*2). Palavras presentes no site, assim como no vídeo, cujas imagens representam bem a pujança que se quer associar à Doppel.
Esta cerveja do touro negro, fez-me recordar a brincadeira e o gozo que os meus amigos faziam em relação à cerveja preta, nomeadamente um deles que bebia este tipo de cerveja, por causa da pujança.
Gostei bastante desta cerveja, confesso, com um rotulo bastante engraçado com um touro (a fazer lembra o Ferdinando, filme de animação da Blue Sky Studios), de cor escura, castanho escuro, com formação de espuma bege, retenção média de um a dois dedos de espuma, carbonatação média, aroma de malte tostado, caramelo talvez, talvez um pouco de chocolate. Sabor bastante agradável, de caramelo adocicado e que apesar de ter 6,5% ABV, não se sente nada, é muito fácil de beber e escorrega muito bem. Cerveja algo adocicada e muito agradável mesmo
Lançada em 1995 a Chang conquistou rapidamente o coração e gosto do povo Tailandês, Através dos anos têm-se tornado uma das marcas mais famosas na Tailândia e é mundialmente reconhecida como um símbolo de uma terra de sorrisos. Produzida e engarrafada naquele pais do sudeste Asiático, é a companhia perfeita para todas as coisas, desde o futebol de praia até ao acompanhamento de pratos picantes. Pode ler-se no site oficial desta marca. (*1).
A Chang nasceu de uma interessante filosofia Tailandesa; "Lamiat", que nos ajuda a ver as coisas de um modo diferente, inspira-nos a prestar atenção aos detalhes, a olhar para além do vulgar, sustentada numa profunda e autentica apreciação de que são as pequenas coisas que refinam e produzem a perfeição. Assim cada Chang é produzida com "Lamiat" (*2) (*3)
https://www.changbeer.com/lamiat
É uma lager, com uma curiosa apresentação no rotulo com dois elefantes, uma garrafa bonita verde, formação de espuma branca de uma a dois dedos, com pouca retenção. Cor dourada e carbonatação média. aroma muito agradável a malte, arroz e limão. Paladar a malte, é suave, com amargor no fim de boca, mas ao inicio, que depois vai desaparecendo. Com 5%. ABV, e segundo indicações numa etiqueta, é elaborada com malte de qualidade, arroz, lúpulo, água natural e fermento selecionado especialmente para a Chang. Gostei da cerveja, é suave e agradável de se beber.
Mais uma bebida de malte aqui no blog, desta feita, de Cabo Verde chega-nos a Actimalt. Assume-se mais como uma bebida um pouco direcionada para crianças e para contribuir para um crescimento saudável, numa formula natural om vitaminas B1, B2 e B3, proporcionando-lhes mais energia necessária às suas actividades. (*1)
Segundo o que me apercebi e li, as bebidas de malte são muito consumidas em diferentes países africanos e na América Latina (*2) em que não é alheio o facto de serem bebidas nutritivas.
Produzida pela Sociedade Cabo Verdiana de Cervejas e Refrigerantes (a mesma da Strela), é elaborada com malte, agua, cevada, açúcar e caramelo, para além de ter valores energéticos dos quais fazem parte as vitaminas, ferro, proteínas, carbo hidratos, e com valor energético de 149 Kcal. É uma bebida de cor escura, castanho escura, faz uma formação de espuma bege, que vai desaparecendo naturalmente. Boa carbonatação. Aroma a malte, típico das bebidas de malte, sabor a malte, adocicada, agradável e claro sem álcool.
Li há uns anos atrás que a Republica Checa era um dos países (ou o pais) onde se consumia mais cerveja (por capita) (*1), A verdade é que em muitos países Europeus é uma questão cultural, e onde se podem encontrar verdadeiros néctares de cevada e lúpulo, e neste bonito país existem várias e até a designação Pilsner veio daqui (*2), mas isso fica para outro post.
(*4) Praga (Foto retirada do site oficial.)
A popularidade da cerveja Checa aumentou durante do renascimento Checo, na segunda metade do século XIX, a população de Praga aumentou, companhias industriais surgiram e a capacidade das cervejarias existentes não eram suficientes. Jan Kohout e Vilem Pick tinham um sonho para criar uma cerveja perfeita usando unicamente os melhores ingredientes, e depois de algumas tentativas conseguiram criar algo de verdadeiramente especial. Usando autênticos Lúpulos Saaz, tipos especiais de cevada e levedura, criaram a cerveja hoje conhecida como Staropramen. Em 1869 foi então constituída uma corporação e dado inicio à construção do primeiro complexo de edifícios da cervejaria, que mais tarde, já no sec. XX viria a ser alvo de modernização tornando-se na maior cervejaria da Checoslováquia daquela altura e apostando também em 1952, na sua exportação.(*3)
(*4) Staropramen e Praga (Foto retirada do site oficial.)
Apresenta-se com uma imagem clássica e elegante, tanto o seu rotulo como da sua garrafa que faz uma alusão ao espirito de Praga. De uma bonita cor âmbar, formação de um a dois dedos de espuma branca, consistente e duradoura, ficando o seu rasto no copo. Com um aroma muito bom a malte e algo floral. No paladar é uma cerveja equilibrada, sentindo-se o amargor do lúpulo, mas bebe-se muito bem, Com final de boca seco e com 5% ABV. De facto é originária de uma país cujas referencias de cervejas são óptimas. Muito boa.
Desde a sua fundação quase há 400 anos atrás na Holanda, a 3 Horses tem sido um símbolo de superior qualidade. As suas origens remontam ao ano de 1628 onde a cervejaria "Drie Hoefijzers" (3 Horseshoes) estabeleceu-se em Breda. O nome foi inspirado na taberna vizinha de ferradores onde as pessoas apreciavam uma bebida, enquanto aguardavam que os seus cavalos fossem ferrados.
Em 1886 uma nova cervejaria foi construída, tornando-se a primeira marca de produção de bebidas não alcoólicas em larga escala, sendo alterado o nome para 3 Horses, mais fácil de pronunciar e memorizar. Desde 2007 que os maltes são produzidos na Alemanha com técnicas que garantem uma qualidade superior a esta icônica marca Holandesa. (*1)
Adquiri esta 3 Horses Classic (malte tostado) numa mercearia, e é uma típica bebida de malte, mas gostava muito de experimentar a outra Classic (de cor dourada) e/ou as outras variedades.
Tem um rotulo que diria clássico, é de cor escura, castanho escuro, formação de espuma bege de 1 dedo que depois rapidamente desaparece, é uma bebida com aroma a malte, mas também com um aroma que me fez recordar a doçaria Algarvia, nomeadamente os morgados de figo, os queijos de figo, ou as estrelas de figo, que tenho na memoria de comer quando ia a casa de uma das minhas tias, que morava no Algoz. Era algo que na altura nem gostava muito e até acho que comia só as amêndoas e deixava o resto. Felizes memorias e boas recordações.
Estrelas de figo do Algarve
O sabor é adocicado (também a fazer lembrar os doces), e é composta por lúpulo, xarope de glicose e malte.
Do país do som romântico e melancólico das mornas e da sua rainha, Cesária Évora, chega aqui ao blog, o sabor da cerveja Cabo Verdiana; Strela, produzida na fábrica da Cidade da Praia pela Sociedade Cabo-verdiana de cervejas e Refrigerantes (SCCR). (*1)
Produzida desde 2006 na Praia, esta cerveja pertencente ao grupo ECCBC - Equatorial Coca-Cola Bottling Company, era já em 2009 a segunda cerveja mais consumida em Cabo Verde, cobrindo 35% do mercado, sendo actualmente a primeira bebida do país. (*2)
É mais conhecida como "Fidju di Téra" (que atrávés de uma pesquisa que fiz quer dizer: "Nativo", segundo um interessante dicionário bilingue Português-Crioulo) (*3)
Tenho lá por casa um cd que gostava muito de encontrar e que me foi gentilmente oferecido por um amigo Cabo Verdiano, creio se não estou em erro, que se tratava do "Tributo a Humbertona" dessa grande referência e lenda do violão Cabo Verdiano, o mestre Sr. Armando Tito, do qual deixo um vídeo em dueto com a vocalista Brasileira Jabu Morales da banda multicultural Ayom, e também um link sobre os alguns virtuosos guitarristas que tão bem tratam o violão nesse país nosso irmão. (*4)
Deve ser pois um casamento perfeito, (infelizmente nunca fui a Cabo Verde) sentado numa esplanada ou numa praia Cabo Verdiana a beber uma Strela bem refrescante de cor dourada, transparente, carbonatação média, com um a dois dedos de espuma branca que faz rendilhado no copo, aroma nítido a malte, sabor suave típico de uma pilsner, corpo leve e um ligeiríssimo amargor no final, com 5% ABV.
De salientar que aqui faço menção à Strela Kriola, mas também já experimentei a Strela com o rótulo azul.
Achei curiosa a imagem desta cerveja Japonesa quando a vi, tanto pelo rotulo com aquele desenho artístico de um macaco ou daquela curiosa figura de um animal japonês, como pelo interesse em provar cervejas daquele país. Foi a segunda marca depois da Sapporo (na altura ainda não tinha o blog).
A Kirin Ichiban é peculiar no seu processo de fabrico. Elaborada com o mais puro malte, lúpulo e água que ao contrario de outras cervejas apenas a primeira prensagem (first press) do mosto é utilizada. Por isso é denominada Ichiban que significa "primeira" e "melhor" em Japonês. Esta técnica oferece sabores e aromas únicos à Ichiban, para além de ser uma cerveja suave ao contrário das cervejas com 100 % que normalmente são fortes e encorpadas. (1*)
A história desta cervejaria remonta a mais de um século atrás, quando em 1885 foi fundada a Japan Brewery Company, precursora da Kirin, que em 1888 começou a fabricar então esta marca. Em 1907 muda o nome para Kirin Brewery, apostando na qualidade da cerveja que utilizava ingredientes alemães e investindo em instalações. A ênfase na qualidade leva-a até ao primeiro lugar entre as cervejas japonesas e o lançamento da Kirin Ichiban em 1990 gerou vendas recordes. (*2)
(imagem retirada do site oficial http://www.kirinichiban.com/about/)
Na prova que fiz achei que fez uma boa formação de espuma branca de um a dois dedos, cor dourada, boa carbonatação. Aroma com presença de malte bem vincado. O Sabor é igualmente maltado e saboroso e tem amargor, suave mas com bom amargor no final. Com 5 % ABV é uma cerveja que se enquadra dentro de uma lager mas agradou-me. Fiquei com boa impressão desta cerveja e se fosse melhor apreciador de comida Japonesa seria uma excelente ideia acompanhar com esta Kirin.
A primeira vez que provei a Cuca foi numa festa de Santo António na minha antiga praceta onde durante anos vivi alguns dos melhores momentos da minha infância e adolescência. Sempre existiu esta tradição, onde inclusive carregávamos barrotes de uma antiga casa velha na estrada de Benfica para alimentar a portentosa e enorme fogueira que se acendia ao centro, sob a qual, depois de mais baixa, os mais destemidos saltavam por cima.
A fogueira da nossa festa *Foto: Nuno Afonso
A tradição da festa esteve alguns anos parada, mas para nossa felicidade voltou e têm-se mantido mais ou menos regular. Ora foi numa dessas festas que um amigo da praceta trouxe umas quantas latas da Cuca e naquela tarde, com o calor, soube-me mesmo bem, leve, refrescante e com sabor, a marcar a diferença entre as habituais Sagres e Superbock, repetentes do evento.
Junto com as habitués
Nasceu em Angola em 1947. dentro do grupo português Central de Cervejas, tendo sido nacionalizada após a independência angolana, em 1975, e de novo vendida pelo Estado, quase duas décadas depois. (*1). Atualmente é comercializada pelo grupo Castel Angola, um dos maiores grupos cervejeiros de África. (*2) que detém várias unidades fabris espalhadas pelo país como as da Cuca ou da Nocal em Luanda, ou a da Eka, na província do Kwanza Norte.
Das vezes que provei a CUCA (que quando apareceu queria dizer: "Companhia União de Cervejas de Angola"), soube-me sempre bem. De cor dourada com boa carbonatação, formação de espuma branca de uma a dois dedos, e retenção que vai caindo gradualmente. É uma cerveja com aroma muito bom a malte. O Sabor é de malte, milho e com ligeiro amargor. Muito leve com 4,5 % ABV é muito agradável de se beber em dias de calor. Em modo de anúncio diria; "Cuca, sabor de Angola".
A Aldeana de Cacho mistura dois mundos; o do vinho e o da cerveja e nasceu de uma parceria entre a cervejaria do Montijo e a Adega de Palmela. que depositaram nestas cervejas o equilíbrio entra as castas Portuguesas da península de Setubal e a liberdade criativa que a cervejeira apresenta, entre uma partilha de experiencias entre o cervejeiro Miguel Cáceres e o enólogo Luís Silva.
E foi assim que foram lançadas duas Aldeanas; uma de Cacho branco moscatel que conta com mosto de uva branca da casa Moscatel graúdo e a outra a de Cacho rosé Castelão que utiliza mosto de uva desta casta tinta. (*1).
Eu diria que é uma combinação curiosa de dois produtos distintos de duas terras do mesmo distrito de Setúbal, distrito esse que conheço alguns locais relativamente bem, uma vez que o meu Pai era da Moita do Ribatejo, e ora passeávamos por Setúbal, ora passávamos férias em Troia ou visitávamos Palmela, onde muitas vezes íamos almoçar ao "Retiro Azul", restaurante conceituado e de boas memórias de infância e adolescência, com boa comida, em que eu gostava de acompanhar com um Trinaranjus e a cereja em cima do bolo, que era a tão desejada tarte de amêndoa, isto enquanto olhava com atenção aos saudosos desenhos animados do "Dartacão e os três Moscãoteiros" na TV do restaurante e que eu adorava ver.
Cá fora, recordo também aquela deslumbrante imagem do Castelo de Palmela, e na minha imaginação as imagens de batalhas entre Cristãos e Muçulmanos pelas conquistas e reconquistas da povoação e do seu imponente castelo. Do lado oposto no jardim da alameda a curiosa, fascinante e bonita imagem de uma quinta (de seu nome Quinta dos Carvachos) com muitas laranjeiras, com uma mansão enorme, lagos e casa de caseiros, creio eu.
Depois destas boas recordações, vamos então à nossa Aldeana de Cacho, a de Rosé Castelão, gentilmente oferecida por uma colega de trabalho muito simpática. No seu rótulo podemos observar que é uma Portuguese Grappe Ale Castelão Fruit Sour, de cor âmbar, mas também de cor rosé, turva, praticamente sem formação de espuma, carbonatação média/baixa, embora ao inicio exista, mas vá desaparecendo. Com aroma a groselha, a vinho rosé e talvez a cerejas. No sabor nota-se acidez e sem amargor. Com uma graduação de 7,5%. é uma proposta diferente que não estava à espera, mas a cerveja artesanal permite-se a tudo e a fazer todas as experiencias que sejam aceitáveis. Na sua composição temos agua, malte de cevada e trigo (talvez para suavizar), uvas, lúpulo e levedura.
É uma cerveja mas mais parece um vinho, porque o sabor que tem é praticamente de um rosé ou parecido.
É mais uma sugestão no vasto mundo das cervejas artesanais.
A pretexto desta Matiné da Dois Corvos embalo para algo que me soa bem e me traz boas recordações: As Matinés, estas não eram só as do cinema à tarde, das quais eu gostava e ainda gosto muito, tantas e tão boas no cinema Império, para ver um Starwars, um Superman, uma Lenda da Floresta, filme pouco
conhecido do Ridley Scott com o Tom Cruise (*1), em que eu e os meus amigos vínhamos de São Domingos de Benfica como numa excursão ao centro da cidade, ou mesmo nos Alfas triplex e outros cinemas de Lisboa, mas também as matinés das discotecas (*2), como as do Crazy Nights em Picoas, em que juntamente com os meus saudosos e grandes amigos Nuno "Polaco" e Hugo Epifânio, lá parávamos num espaço a abarrotar de gente. Mais tarde, e às 4ª Feiras senão me engano, lá ia com o meu também saudoso e grande amigo Jorge Jardim, depois das aulas no Liceu D. Filipa de Lencastre, às matinés do Central Park, dentro do centro comercial São João de Deus, para num espaço com menos gente e mais confortável para mim, beber um (ou mais) copos de Pisang Ambon com sumo de laranja.
Que saudades desses tempos meu deus, e que saudades de tantos locais e de tanta gente que partiu desses tempos, de um tempo em que como se costuma dizer era feliz e não sabia.
E aproveito para, com um brilhozinho nos olhos como diria o Sérgio Godinho, mudar a agulha para falar desta cerveja da Dois Corvos.
Trata-se de uma session IPA, que combina malte e aveia, assim como lúpulos mosaic e citra, usando-se o dry-hopping resultando num aroma e sabor de intenso perfil a citrinos e frutos tropicais. (*3)
Para mim é uma das melhores cervejas da Dois Corvos (que provei, é claro), é uma cerveja que se bebe muito bem, é leve, faz uma ótima formação de espuma branca de dois ou mais dedos, uma retenção douradora, de cor dourado escuro, quase límpida e algo turva. O aroma é fantástico a frutos tropicais, é fresco, cítrico, a ananas. Muito bom. Na boca tem essa leveza e facilidade de se beber, mas com amargor acentuado no fim, bem apurada e com personalidade. Com apenas 4.5 % ABV. Quanto à imagem tem o crivo das Dois Corvos, sempre com rótulos extremamente engraçados tanto o da renovada imagem com um urso com óculos 3D ? assim como o anterior em tons mais quentes.
Lembro-me das vezes que olhava para as cervejas Baltika, nas prateleiras dos supermercados e saltava à vista a imponência dos seus rótulos e a elegância das sua garrafas. Havia de vários estilos, cada uma numerada conforme fosse uma porter ou uma lager, sendo que a mais forte era a numero 9.
É precisamente a Strong Extra Lager que trago aqui. engarrafada pela primeira vez em 1998 (*1), hoje em dia é muito difícil ou praticamente impossível encontrar uma Baltika à venda, devido ao embargo imposto à Rússia por causa do conflito armado com a Ucrânia. Presenciamos pois os horrores de uma guerra, e um futuro incerto desse desfecho com velhos fantasmas da ameaça nuclear a pairar no ar e que quase ninguém pensaria que regressassem. Traz-nos à memória para os dias de hoje a bela e inquietante música: "Russians" que Sting compôs e lançada em 1985. Vale a pena colocar um excerto da letra que infelizmente se aplica à actualidade, mesmo que os intervenientes políticos sejam outros:
"In Europe and America there's a growing feeling of hysteria
Conditioned to respond to all the threats
In the rhetorical speeches of the Soviets
Mister Krushchev said, "We will bury you"
I don't subscribe to this point of view
It'd be such an ignorant thing to do
If the Russians love their children too..."
Bem, mas tentemos nos alhear um pouco, para falarmos sobre o tema principal deste blog e desta Baltika nº 9. que um amigo meu já me tinha dito muito bem. Com Apenas 8 % ABV, é a cerveja mais forte da Baltika que conheço, de cor dourada, uma boa formação de espuma branca de dois dedos, retenção média, aroma com predominância a malte, notei aqui algum aroma parecido a xarope, tem um sabor com preponderância alcoólica, com algumas notas a xarope, alguma acidez e um final de boca com amargor e seco. É uma cerveja que esperava algo de diferente mas é de facto uma lager extra forte e não me desiludiu de todo, gostei da cerveja. É forte, tem amarrar, tem presença e fez-me lembrar agora a primeira cerveja forte que bebi e que apareceu em Portugal ai pela segunda metade dos anos 90, a Tuborg Strong beer com 7.2 % ABV. Confesso que naqueles tempos não estava muito preparado para ela ou não a sabia apreciar, e não gostava muito, era demasiado forte, mas esta Baltika ainda com mais teor alcoólico é bem superior.