sábado, 6 de maio de 2023

The Mysterious Sister


Regressamos ao fantástico mundo da steam brew, para falar sobre a ultima (à venda nos lidls do nosso país) cerveja e estilo que me faltava; a Session IPA. É sempre engraçado revisitar este pequeno mundo mais a sua criatividade, a qual julgo já ter ganho um prémio de "German design award special" em 2020, e por isso vale sempre a pena dar um salto ao site, onde também se encontra este delicioso vídeo:


Desta session IPA, vem também a história neste mundo de fantasia sobre a irmã mais nova do "jovem", intitulando-se mesmo com a "irmã", este misterioso membro da resistência, tem atraído as atenções e comenta-se que a nova criação de cerveja; a IPA de Shiny já terá conquistado as ruas. 
Diz-se que terá nascido fora da cidade, tendo sido obrigada a sair do país mais a sua Mãe. A sua reputação como cervejeira talentosa seguiu-a e numa pequena quinta terá aperfeiçoado a sua arte. A sua obra prima evidencia a distancia da cidade, de ligeireza intensamente frutada e frescura primaveril campestre. Quando numa noite foi traída e os agentes da lei seca reduziram a sua quinta a cinzas, conseguiu escapara com a sua mão por uma passagem secreta, após ter sido posta ao corrente da revolução, e do seu irmão deixou a sua Mãe em segurança para se juntar à resistência para os apoiar e dar o seu contributo ao grupo Steam Brew.
Elaborada com o lúpulo "Vic Secret" proporciona notas a frutas exóticas e tropicais.
Quanto à prova que fiz; no copo forma três a quatro dedos de espuma branca, com boa formação e retenção, cor amarelo dourado turvo, aroma fantástico, frutado, a ananás ou abacaxi e também lupulado, herbal. O sabor é suave, light, um pouco águado e de final de boca com amargor e seco. Carbonatação média com 4,9% vol. É o típico registo de uma session IPA (estou-me aqui a recordar da Matiné). É boa, é sempre uma excelente proposta a considerar dentro da qualidade/preço, e naturalmente a repetir.

sábado, 29 de abril de 2023

Cuca Preta (...e a história de Manuel Vinhas, o empresário que fundou a Cuca)


E do país dos nosso amigos irmãos Angolanos eis que chega à prova uma Cuca preta, sinônimo de qualidade desta marca a que já nos habituou, as minhas expectativas não foram pois defraudadas.
"À cor escura e essência encorpada, juntamos um aroma intenso e sabor torrado para produzir uma cerveja preta de eleição para verdadeiros apreciadores.", pode ler-se no site do grupo Castel (*1)


E curiosa é a história que encontrei por acaso na net, sobre Manuel Vinhas, o empresário que fundou a cervejeira Cuca. Conta-nos a história de um descendente de uma família com negócios ligados às industrias, nascido em Lisboa em 1925. Principal acionista da sociedade central de cervejas, fundou em Luanda a Cuca em 1952, numa altura que já tinha em Portugal a Sagres, a Skol no Brasil e a Laurentina em Moçambique, e um império de mais de 52 empresas em ramos tão distintos como a produção de garrafas, criação de galinhas, exploração de vegetais, uma fazenda de maracujá ou plantações de café. Fundou ainda o Banco Comercial de Angola, na altura o edifício mais alto das colónias portuguesas, finalizado em 1967.
Por volta de 1950 a cerveja era importada e a sua introdução em 1956 foi um sucesso imediato. Durante a sua vida leu e escreveu muito. Nos anos 60 foi preso, teve residência fixa e impedido de viajar. Escreveu "Para um diálogo sobre Angola", opúsculo retirado pela censura e conotado de coloborador com os "terroristas" do MPLA. Era a sua teoria que não se devia fazer a guerra em Angola, mas promover o desenvolvimento económico do país.
Após o 25 de Abril, as suas contas bancárias e da sua família foram congeladas deixando a sua esposa sozinha com salários e contas para pagar. De Angola viajou para o Brasil em 1975 onde se exilou. Morre em Salvador dois anos depois com 57 anos.
Um mês depois o seu corpo chega a Lisboa, e os funcionários da sociedade central de cervejas entopem o trânsito da cidade com as suas carrinhas de distribuição para se despedirem do antigo accionista da empresa. (*2). Também a revista Sábado escreveu uma reportagem sobre este empresário, que também foi um humanista, viajante e amante das artes, e da qual deixo o link embaixo. (*3)



Adquiri esta cuca preta em lata no lidl, com 5.5% ABV, é uma cerveja de cor escura, castanho muito escuro e tons de cobre, formação de espuma bege com um a dois dedos, retenção mediana que se vai perdendo mas que deixa um rasto no copo. Aroma a chocolate, a malte tostado, doce, talvez cacau. O sabor é idêntico a malte tostado, com algum amargor mais também algo de adocicado. É uma cervaja que não me desiludiu tal como a cuca normal da qual eu gosto e é uma boa cerveja preta e bem elaborada

terça-feira, 18 de abril de 2023

Nineteen, Vietname, Saigon...(Bia Saigon)


Um nome da Saigon, fez-me vir à memória o videoclip de uma música que esteve no top dos anos 80, era sobre a guerra do Vietname e repetia-se várias vezes a palavra Saigon. Não sei se quem estiver a ler se recordará, mas tratava-se de uma música em estilo "disco". Esta música cujo titulo era "19" e o seu autor era um tal de paul Hardcastle (algo que só notei passados estes anos todos), abordava precisamente a média dos soldados que eram enviados para esta famigerada e dramática guerra (e qual não é ?)


Vários foram os filmes de cinema que abordaram esta guerra de má memória, entre eles, alguns bem marcantes como o "Platton" com os actores; Charlie Sheen, Tom Berenger e Willem Dafoe, o "Born on the fourth of July" com o Tom Cruise, ambos do Oliver Stone, o "Apocalypse Now" do Francis Ford Coppola, com o Martin Sheen, Marlon Brando e Robert Duvall ou o "Full Metal Jacket" do Stanley Kubrick, alguns destes filmes com excelentes bandas sonoras.

https://www.warhistoryonline.com/vietnam-war/apocalypse-now-facts.html

Bem, mudando de assunto e virando a agulha para o principal deste blog; A cerveja, e a que falo aqui hoje, oriunda do Vietname, é a Saigon, ou Bia Saigon para ser mais preciso. É a marca líder da indústria da cerveja naquele país, com cerca de 140 anos de desenvolvimento. O sabor único da Saigon combina o espirito de generosidade dos habitantes daquela cidade e a riqueza da terra do Sul, tornando-a numa parte indispensável do dia a dia. (*1)
Quanto à prova; fez a formação de dois dedos de espuma e retenção média, cor dourada, translucida. Ligeiro aroma a malte como é normal nas lager. O sabor é suave com amargor no final e com sabor também é de malte, é elaborada com arroz, com 4.9% ABV. É uma cerveja que se bebe bem e acredito que saiba bem em ambientes quentes. (Vem-me à cabeça o inicio do "Apocalypse Now" e aquele ambiente abafado e à imaginação um cenário sobre filmes de guerra no Vietname de soldados a beberem uma Saigon nos cafés e bares, sob um tempo abafado e húmido...). A imagem de marca é muito bonita com um dragão sobre um fundo vermelho. Estava com alguma expectativa, e é uma cerveja interessante.

(*1) https://www.sabeco.com.vn/en-US/about-us

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Ginger Joe

 


Na procura que fiz há uns tempos acerca de ginger beers, encontrei a Ginger Joe à venda no site de uma mercearia de produtos importados. Dei-me conta de que as referencias eram positivos e pareceu-me ser uma das mais conhecidas no mercado. Na altura encontrava-se esgotada e um belo dia quando vinha do trabalho, e ao passar numa mercearia de comerciantes Indianos, deparei-me com esta bem referenciada cerveja de gengibre. Com um rotulo engraçadíssimo e peculiar alusivo ao típico "moustache" britânico.   

A Ginger Joe  foi inspirada pelo "Ginger" Joseph Stone , um bigodudo vendedor de verduras em Londres, e ilustre fundador da nobre House of Stone. Conta-nos a história que Joe era fanático pelo tentador sabor da raiz de gengibre,  e que o seu primeiro "mergulho no gengibre" por volta de 1740 produziu uma bebida que chamuscou as pontas do seu bigode, imagem essa imortalizada na garrafa.

A versão que bebi foi a de 4% ABV, mas existe uma, que vi pelo sitio oficial da Stones com uma garrafa igual, mas de 50 cl, e com uns interessantíssimos 8%, simplesmente incrível, e digo já, que se um dia poder provar esta "Stong ginger beer" não me vou fazer rogado, ai não vou não.

De cor dourada claro, formação de espuma de um a dois dedos e uma retenção praticamente nula, que desaparece num ápice (o que é perfeitamente compreensível), o aroma é a gengibre, a ginger ale e a lima limão. Quanto ao sabor faz-me lembrar muito um ginger ale, uma bebida de refresco, adocicado, e com final de boca com ligeiro "piquinho" e ardor na garganta típico do gengibre. Já ouvi dizer que é das melhores ginger beers do mercado, já é a terceira que experimento (a 2ª alcoólica) e acho que é bastante agradável e refrescante de se beber.

https://stonesoriginal.com.au/our-products/stone-s-ginger-joe/


terça-feira, 14 de março de 2023

Doppel Munich - Forte como um Touro


A Doppel devido ao seu corpo robusto e aos seus 6.5% de álcool é conhecida como a Pulunguza de Angola. A sua formula 100% pura, 100% tradicional e 100% de qualidade, respeita o processo estabelecido pelos monges Alemães desde 1516 (*1).

É comercializada em Angola através do grupo Castel Angola, onde penso que também é produzida nas fábricas que pertencem ao grupo, mas fiquei com a ideia de que na verdade, esta marca é originaria da Republica Democrática do Congo, nomeadamente na Bracongo, segundo o site, a sua cerveja preta mais antiga, mas também presente em vários países africanos. (*2)

Sinônimo de potencia, força, virilidade, é a recompensa perfeita para os mais fortes após um dia de trabalho duro. (*2). Palavras presentes no site, assim como no vídeo, cujas imagens representam bem a pujança que se quer associar à Doppel. 


Esta cerveja do touro negro, fez-me recordar a brincadeira e o gozo que os meus amigos faziam em relação à cerveja preta, nomeadamente um deles que bebia este tipo de cerveja, por causa da pujança. 

Gostei bastante desta cerveja, confesso, com um rotulo bastante engraçado com um touro (a fazer lembra o Ferdinando, filme de animação da Blue Sky Studios), de cor escura, castanho escuro, com formação de espuma bege, retenção média de um a dois dedos de espuma, carbonatação média, aroma de malte tostado, caramelo talvez, talvez um pouco de chocolate. Sabor bastante agradável, de caramelo adocicado e que apesar de ter 6,5% ABV, não se sente nada, é muito fácil de beber e escorrega muito bem. Cerveja algo adocicada e muito agradável mesmo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_(filme)

(*1) https://grupocastelangola.com/produto/cervejas/doppel/doppel/

(*2) https://bracongo.cd/produit/doppel-munich/

sexta-feira, 3 de março de 2023

Chag - Inspirada e elaborada com "Lamiat"


Lançada em 1995 a Chang conquistou rapidamente o coração e gosto do povo Tailandês, Através dos anos têm-se tornado uma das marcas mais famosas na Tailândia e é mundialmente reconhecida como um símbolo de uma terra de sorrisos. Produzida e engarrafada naquele pais do sudeste Asiático, é a companhia perfeita para todas as coisas, desde o futebol de praia até ao acompanhamento de pratos picantes. Pode ler-se no site oficial desta marca. (*1).
A Chang nasceu de uma interessante filosofia Tailandesa; "Lamiat", que nos ajuda a ver as coisas de um modo diferente, inspira-nos a prestar atenção aos detalhes, a olhar para além do vulgar, sustentada numa profunda e autentica apreciação de que são as pequenas coisas que refinam e produzem a perfeição. Assim cada Chang é produzida com "Lamiat" (*2) (*3)

https://www.changbeer.com/lamiat

É uma lager, com uma curiosa apresentação no rotulo com dois elefantes, uma garrafa bonita verde, formação de espuma branca de uma a dois dedos, com pouca retenção. Cor dourada e carbonatação média. aroma muito agradável a malte, arroz e limão. Paladar a malte, é suave, com amargor no fim de boca, mas ao inicio, que depois vai desaparecendo. Com 5%. ABV, e segundo indicações numa etiqueta, é elaborada com malte de qualidade, arroz, lúpulo, água natural e fermento selecionado especialmente para a Chang. Gostei da cerveja, é suave e agradável de se beber.


(*1) https://www.changbeer.com/brand/?lang=en

(*2) https://www.changbeer.com/lamiat/?lang=en

(*3) https://www.youtube.com/watch?v=J9JwFQeu6V0

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Actimalt


Mais uma bebida de malte aqui no blog, desta feita, de Cabo Verde chega-nos a Actimalt. Assume-se mais como uma bebida um pouco direcionada para crianças e para contribuir para um crescimento saudável, numa formula natural om vitaminas B1, B2 e B3, proporcionando-lhes mais energia necessária às suas actividades. (*1)

Segundo o que me apercebi e li, as bebidas de malte são muito consumidas em diferentes países africanos e na América Latina (*2) em que não é alheio o facto de serem bebidas nutritivas.

Produzida pela Sociedade Cabo Verdiana de Cervejas e Refrigerantes (a mesma da Strela), é elaborada com malte, agua, cevada, açúcar e caramelo, para além de ter valores energéticos dos quais fazem parte as vitaminas, ferro, proteínas, carbo hidratos, e com valor energético de 149 Kcal. É uma bebida de cor escura, castanho escura, faz uma formação de espuma bege, que vai desaparecendo naturalmente. Boa carbonatação. Aroma a malte, típico das bebidas de malte, sabor a malte, adocicada, agradável e claro sem álcool. 


(*1) https://www.facebook.com/actimalt/

(*2) https://www.ongoma.news/artigo/beneficios-e-vantagens-da-bebida-super-malte-apresentados-em-formacao-sobre-o-produto

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Staropramen - Espírito de Praga

 


Li há uns anos atrás que a Republica Checa era um dos países (ou o pais) onde se consumia mais cerveja (por capita) (*1), A verdade é que em muitos países Europeus é uma questão cultural, e onde se podem encontrar verdadeiros néctares de cevada e lúpulo, e neste bonito país existem várias e até a designação Pilsner veio daqui (*2), mas isso fica para outro post.

(*4) Praga (Foto retirada do site oficial.)

A popularidade da cerveja Checa aumentou durante do renascimento Checo, na segunda metade do século XIX, a população de Praga aumentou, companhias industriais surgiram e a capacidade das cervejarias existentes não eram suficientes. Jan Kohout e Vilem Pick tinham um sonho para criar uma cerveja perfeita usando unicamente os melhores ingredientes, e depois de algumas tentativas conseguiram criar algo de verdadeiramente especial. Usando autênticos Lúpulos Saaz, tipos especiais de cevada e levedura, criaram a cerveja hoje conhecida como Staropramen. Em 1869 foi então constituída uma corporação e dado inicio à construção do primeiro complexo de edifícios da cervejaria, que mais tarde, já no sec. XX viria a ser alvo de modernização tornando-se na maior cervejaria da Checoslováquia daquela altura e apostando também em 1952, na sua exportação.(*3)

(*4) Staropramen e Praga (Foto retirada do site oficial.)

Apresenta-se com uma imagem clássica e elegante, tanto o seu rotulo como da sua garrafa que faz uma alusão ao espirito de Praga. De uma bonita cor âmbar, formação de um a dois dedos de espuma branca, consistente e duradoura, ficando o seu rasto no copo. Com um aroma muito bom a malte e algo floral. No paladar é uma cerveja equilibrada, sentindo-se o amargor do lúpulo, mas bebe-se muito bem, Com final de boca seco e com 5% ABV. De facto é originária de uma país cujas referencias de cervejas são óptimas. Muito boa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

3 Horses (...e estrelas de figo do Algarve)


Desde a sua fundação quase há 400 anos atrás na Holanda, a 3 Horses tem sido um símbolo de superior qualidade. As suas origens remontam ao ano de 1628 onde a cervejaria "Drie Hoefijzers" (3 Horseshoes) estabeleceu-se em Breda. O nome foi inspirado na taberna vizinha de ferradores onde as pessoas apreciavam uma bebida, enquanto aguardavam que os seus cavalos fossem ferrados.
Em 1886 uma nova cervejaria foi construída, tornando-se a primeira marca de produção de bebidas não alcoólicas em larga escala, sendo alterado o nome para 3 Horses, mais fácil de pronunciar e memorizar. Desde 2007 que os maltes são produzidos na Alemanha com técnicas que garantem uma qualidade superior a esta icônica marca Holandesa. (*1)
Adquiri esta 3 Horses Classic (malte tostado) numa mercearia, e é uma típica bebida de malte, mas gostava muito de experimentar a outra Classic (de cor dourada) e/ou as outras variedades.


Tem um rotulo que diria clássico, é de cor escura, castanho escuro, formação de espuma bege de 1 dedo que depois rapidamente desaparece, é uma bebida com aroma a malte, mas também com um aroma que me fez recordar a doçaria Algarvia, nomeadamente os morgados de figo, os queijos de figo, ou as estrelas de figo, que tenho na memoria de comer quando ia a casa de uma das minhas tias, que morava no Algoz. Era algo que na altura nem gostava muito e até acho que comia só as amêndoas e deixava o resto. Felizes memorias e boas recordações. 

Estrelas de figo do Algarve

O sabor é adocicado (também a fazer lembrar os doces), e é composta por lúpulo, xarope de glicose e malte.
 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Fidju di Téra (Strela Kriola)


Do país do som romântico e melancólico das mornas e da sua rainha, Cesária Évora, chega aqui ao blog, o sabor da cerveja Cabo Verdiana; Strela, produzida na fábrica da Cidade da Praia pela Sociedade Cabo-verdiana de cervejas e Refrigerantes (SCCR). (*1)
Produzida desde 2006 na Praia, esta cerveja pertencente ao grupo ECCBC - Equatorial Coca-Cola Bottling Company, era já em 2009 a segunda cerveja mais consumida em Cabo Verde, cobrindo 35% do mercado, sendo actualmente a primeira bebida do país. (*2)
É mais conhecida como "Fidju di Téra" (que atrávés de uma pesquisa que fiz quer dizer: "Nativo", segundo um interessante dicionário bilingue Português-Crioulo) (*3)
Tenho lá por casa um cd que gostava muito de encontrar e que me foi gentilmente oferecido por um amigo Cabo Verdiano, creio se não estou em erro, que se tratava do "Tributo a Humbertona" dessa grande referência e lenda do violão Cabo Verdiano, o mestre Sr. Armando Tito, do qual deixo um vídeo em dueto com a vocalista Brasileira Jabu Morales da banda multicultural Ayom, e também um link sobre os alguns virtuosos guitarristas que tão bem tratam o violão nesse país nosso irmão. (*4)


Deve ser pois um casamento perfeito, (infelizmente nunca fui a Cabo Verde) sentado numa esplanada ou numa praia Cabo Verdiana a beber uma Strela bem refrescante de cor dourada, transparente, carbonatação média, com um a dois dedos de espuma branca que faz rendilhado no copo, aroma nítido a malte, sabor suave típico de uma pilsner, corpo leve e um ligeiríssimo amargor no final, com 5% ABV. 
De salientar que aqui faço menção à Strela Kriola, mas também já experimentei a Strela com o rótulo azul.

Cabo Verde - Imagem retirada do link (*5)


(*2) https://www.sapo.pt/noticias/economia/grupo-equatorial-quer-cabo-verdiana-strela_627d51821b82905089517520

(*3) http://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/UFPB/catalog/book/705

(*4) https://www.caboverdeamusica.online/guitarristas-cabo-verdianos/

(*5) https://www.publituris.pt/2022/07/22/cabo-verde-mais-do-que-um-destino-e-o-destino-de-ferias-dos-portugueses

https://www.facebook.com/StrelaFidjudiTera/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Kirin Ichiban - First Press


Achei curiosa a imagem desta cerveja Japonesa quando a vi, tanto pelo rotulo com aquele desenho artístico de um macaco ou daquela curiosa figura de um animal japonês, como pelo interesse em provar cervejas daquele país. Foi a segunda marca depois da Sapporo (na altura ainda não tinha o blog).

A Kirin Ichiban é peculiar no seu processo de fabrico. Elaborada com o mais puro malte, lúpulo e água que ao contrario de outras cervejas apenas a primeira prensagem (first press) do mosto é utilizada. Por isso é denominada Ichiban que significa "primeira" e "melhor" em Japonês. Esta técnica oferece sabores e aromas únicos à Ichiban, para além de ser uma cerveja suave ao contrário das cervejas com 100 % que normalmente são fortes e encorpadas. (1*)

A história desta cervejaria remonta a mais de um século atrás, quando em 1885 foi fundada a Japan Brewery Company, precursora da Kirin, que em 1888 começou a fabricar então esta marca. Em 1907 muda o nome para Kirin Brewery, apostando na qualidade da cerveja que utilizava ingredientes alemães e investindo em instalações. A ênfase na qualidade leva-a até ao primeiro lugar entre as cervejas japonesas e o lançamento da Kirin Ichiban em 1990 gerou vendas recordes. (*2)

(imagem retirada do site oficial http://www.kirinichiban.com/about/)

Na prova que fiz achei que fez uma boa formação de espuma branca de um a dois dedos, cor dourada, boa carbonatação. Aroma com presença de malte bem vincado. O Sabor é igualmente maltado e saboroso e tem amargor, suave mas com bom amargor no final. Com 5 % ABV é uma cerveja que se enquadra dentro de uma lager mas agradou-me. Fiquei com boa impressão desta cerveja e se fosse melhor apreciador de comida Japonesa seria uma excelente ideia acompanhar com esta Kirin.

(1*) https://www.cervejakirinichiban.com.br/sobre

(*2) http://www.kirinichiban.com/about/

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Cuca de Angola e fogueiras de Santo António


A primeira vez que provei a Cuca foi numa festa de Santo António na minha antiga praceta onde durante anos vivi alguns dos melhores momentos da minha infância e adolescência. Sempre existiu esta tradição, onde inclusive carregávamos barrotes de uma antiga casa velha na estrada de Benfica para alimentar a portentosa e enorme fogueira que se acendia ao centro, sob a qual, depois de mais baixa, os mais destemidos saltavam por cima. 

A fogueira da nossa festa
*Foto: Nuno Afonso

A tradição da festa esteve alguns anos parada, mas para nossa felicidade voltou e têm-se mantido mais ou menos regular. Ora foi numa dessas festas que um amigo da praceta trouxe umas quantas latas da Cuca e naquela tarde, com o calor, soube-me mesmo bem, leve, refrescante e com sabor, a marcar a diferença entre as habituais Sagres e Superbock, repetentes do evento.

Junto com as habitués

Nasceu em Angola em 1947. dentro do grupo português Central de Cervejas, tendo sido nacionalizada após a independência angolana, em 1975, e de novo vendida pelo Estado, quase duas décadas depois. (*1). Atualmente é comercializada pelo grupo Castel Angola, um dos maiores grupos cervejeiros de África. (*2) que detém várias unidades fabris espalhadas pelo país como as da Cuca ou da Nocal em Luanda, ou a da Eka, na província do Kwanza Norte.

Das vezes que provei a CUCA (que quando apareceu queria dizer: "Companhia União de Cervejas de Angola"), soube-me sempre bem. De cor dourada com boa carbonatação, formação de espuma branca de uma a dois dedos, e retenção que vai caindo gradualmente. É uma cerveja com aroma muito bom a malte. O Sabor é de malte, milho e com ligeiro amargor. Muito leve com 4,5 % ABV é muito agradável de se beber em dias de calor. Em modo de anúncio diria; "Cuca, sabor de Angola".

(*1) https://expresso.pt/internacional/2018-06-08-Historica-cerveja-angolana-passa-a-ser-vendida-em-Mocambique

(*2) https://grupocastelangola.com/produto/cervejas/cuca/cuca/


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Reviver o passado em Palmela (Aldeana de Cacho Rosé)


A Aldeana de Cacho mistura dois mundos; o do vinho e o da cerveja e nasceu de uma parceria entre a cervejaria do Montijo e a Adega de Palmela. que depositaram nestas cervejas o equilíbrio entra as castas Portuguesas da península de Setubal e a liberdade criativa que a cervejeira apresenta, entre uma partilha de experiencias entre o cervejeiro Miguel Cáceres e o enólogo Luís Silva.
E foi assim que foram lançadas duas Aldeanas; uma de Cacho branco moscatel que conta com mosto de uva branca da casa Moscatel graúdo e a outra a de Cacho rosé Castelão que utiliza mosto de uva desta casta tinta. (*1).

Eu diria que é uma combinação curiosa de dois produtos distintos de duas terras do mesmo distrito de Setúbal, distrito esse que conheço alguns locais relativamente bem, uma vez que o meu Pai era da Moita do Ribatejo, e ora passeávamos por Setúbal, ora passávamos férias em Troia ou visitávamos Palmela, onde muitas vezes íamos almoçar ao "Retiro Azul", restaurante conceituado e de boas memórias de infância e adolescência, com boa comida, em que eu gostava de acompanhar com um Trinaranjus e a cereja em cima do bolo, que era a tão desejada tarte de amêndoa, isto enquanto olhava com atenção aos saudosos desenhos animados do "Dartacão e os três Moscãoteiros" na TV do restaurante e que eu adorava ver.


Cá fora, recordo também aquela deslumbrante imagem do Castelo de Palmela, e na minha imaginação as imagens de batalhas entre Cristãos e Muçulmanos pelas conquistas e reconquistas da povoação e do seu imponente castelo. Do lado oposto no jardim da alameda a curiosa, fascinante e bonita imagem de uma quinta (de seu nome Quinta dos Carvachos) com muitas laranjeiras, com uma mansão enorme, lagos e casa de caseiros, creio eu.



Depois destas boas recordações, vamos então à nossa Aldeana de Cacho, a de Rosé Castelão, gentilmente oferecida por uma colega de trabalho muito simpática. No seu rótulo podemos observar que é uma Portuguese Grappe Ale Castelão Fruit Sour, de cor âmbar, mas também de cor rosé, turva, praticamente sem formação de espuma, carbonatação média/baixa, embora ao inicio exista, mas vá desaparecendo. Com aroma a groselha, a vinho rosé e talvez a cerejas. No sabor nota-se acidez e sem amargor. Com uma graduação de 7,5%. é uma proposta diferente que não estava à espera, mas a cerveja artesanal permite-se a tudo e a fazer todas as experiencias que sejam aceitáveis. Na sua composição temos agua, malte de cevada e trigo (talvez para suavizar), uvas, lúpulo e levedura. 
É uma cerveja mas mais parece um vinho, porque o sabor que tem é praticamente de um rosé ou parecido. 
É mais uma sugestão no vasto mundo das cervejas artesanais.


(*1) https://grandeconsumo.com/adega-de-palmela-e-cerveja-aldeana-lancam-duas-cervejas-de-uva/

https://retiroazul.eatbu.com/?lang=pt

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Palmela