terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

3 Horses (...e estrelas de figo do Algarve)


Desde a sua fundação quase há 400 anos atrás na Holanda, a 3 Horses tem sido um símbolo de superior qualidade. As suas origens remontam ao ano de 1628 onde a cervejaria "Drie Hoefijzers" (3 Horseshoes) estabeleceu-se em Breda. O nome foi inspirado na taberna vizinha de ferradores onde as pessoas apreciavam uma bebida, enquanto aguardavam que os seus cavalos fossem ferrados.
Em 1886 uma nova cervejaria foi construída, tornando-se a primeira marca de produção de bebidas não alcoólicas em larga escala, sendo alterado o nome para 3 Horses, mais fácil de pronunciar e memorizar. Desde 2007 que os maltes são produzidos na Alemanha com técnicas que garantem uma qualidade superior a esta icônica marca Holandesa. (*1)
Adquiri esta 3 Horses Classic (malte tostado) numa mercearia, e é uma típica bebida de malte, mas gostava muito de experimentar a outra Classic (de cor dourada) e/ou as outras variedades.


Tem um rotulo que diria clássico, é de cor escura, castanho escuro, formação de espuma bege de 1 dedo que depois rapidamente desaparece, é uma bebida com aroma a malte, mas também com um aroma que me fez recordar a doçaria Algarvia, nomeadamente os morgados de figo, os queijos de figo, ou as estrelas de figo, que tenho na memoria de comer quando ia a casa de uma das minhas tias, que morava no Algoz. Era algo que na altura nem gostava muito e até acho que comia só as amêndoas e deixava o resto. Felizes memorias e boas recordações. 

Estrelas de figo do Algarve

O sabor é adocicado (também a fazer lembrar os doces), e é composta por lúpulo, xarope de glicose e malte.
 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Fidju di Téra (Strela Kriola)


Do país do som romântico e melancólico das mornas e da sua rainha, Cesária Évora, chega aqui ao blog, o sabor da cerveja Cabo Verdiana; Strela, produzida na fábrica da Cidade da Praia pela Sociedade Cabo-verdiana de cervejas e Refrigerantes (SCCR). (*1)
Produzida desde 2006 na Praia, esta cerveja pertencente ao grupo ECCBC - Equatorial Coca-Cola Bottling Company, era já em 2009 a segunda cerveja mais consumida em Cabo Verde, cobrindo 35% do mercado, sendo actualmente a primeira bebida do país. (*2)
É mais conhecida como "Fidju di Téra" (que atrávés de uma pesquisa que fiz quer dizer: "Nativo", segundo um interessante dicionário bilingue Português-Crioulo) (*3)
Tenho lá por casa um cd que gostava muito de encontrar e que me foi gentilmente oferecido por um amigo Cabo Verdiano, creio se não estou em erro, que se tratava do "Tributo a Humbertona" dessa grande referência e lenda do violão Cabo Verdiano, o mestre Sr. Armando Tito, do qual deixo um vídeo em dueto com a vocalista Brasileira Jabu Morales da banda multicultural Ayom, e também um link sobre os alguns virtuosos guitarristas que tão bem tratam o violão nesse país nosso irmão. (*4)


Deve ser pois um casamento perfeito, (infelizmente nunca fui a Cabo Verde) sentado numa esplanada ou numa praia Cabo Verdiana a beber uma Strela bem refrescante de cor dourada, transparente, carbonatação média, com um a dois dedos de espuma branca que faz rendilhado no copo, aroma nítido a malte, sabor suave típico de uma pilsner, corpo leve e um ligeiríssimo amargor no final, com 5% ABV. 
De salientar que aqui faço menção à Strela Kriola, mas também já experimentei a Strela com o rótulo azul.

Cabo Verde - Imagem retirada do link (*5)


(*2) https://www.sapo.pt/noticias/economia/grupo-equatorial-quer-cabo-verdiana-strela_627d51821b82905089517520

(*3) http://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/UFPB/catalog/book/705

(*4) https://www.caboverdeamusica.online/guitarristas-cabo-verdianos/

(*5) https://www.publituris.pt/2022/07/22/cabo-verde-mais-do-que-um-destino-e-o-destino-de-ferias-dos-portugueses

https://www.facebook.com/StrelaFidjudiTera/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Kirin Ichiban - First Press


Achei curiosa a imagem desta cerveja Japonesa quando a vi, tanto pelo rotulo com aquele desenho artístico de um macaco ou daquela curiosa figura de um animal japonês, como pelo interesse em provar cervejas daquele país. Foi a segunda marca depois da Sapporo (na altura ainda não tinha o blog).

A Kirin Ichiban é peculiar no seu processo de fabrico. Elaborada com o mais puro malte, lúpulo e água que ao contrario de outras cervejas apenas a primeira prensagem (first press) do mosto é utilizada. Por isso é denominada Ichiban que significa "primeira" e "melhor" em Japonês. Esta técnica oferece sabores e aromas únicos à Ichiban, para além de ser uma cerveja suave ao contrário das cervejas com 100 % que normalmente são fortes e encorpadas. (1*)

A história desta cervejaria remonta a mais de um século atrás, quando em 1885 foi fundada a Japan Brewery Company, precursora da Kirin, que em 1888 começou a fabricar então esta marca. Em 1907 muda o nome para Kirin Brewery, apostando na qualidade da cerveja que utilizava ingredientes alemães e investindo em instalações. A ênfase na qualidade leva-a até ao primeiro lugar entre as cervejas japonesas e o lançamento da Kirin Ichiban em 1990 gerou vendas recordes. (*2)

(imagem retirada do site oficial http://www.kirinichiban.com/about/)

Na prova que fiz achei que fez uma boa formação de espuma branca de um a dois dedos, cor dourada, boa carbonatação. Aroma com presença de malte bem vincado. O Sabor é igualmente maltado e saboroso e tem amargor, suave mas com bom amargor no final. Com 5 % ABV é uma cerveja que se enquadra dentro de uma lager mas agradou-me. Fiquei com boa impressão desta cerveja e se fosse melhor apreciador de comida Japonesa seria uma excelente ideia acompanhar com esta Kirin.

(1*) https://www.cervejakirinichiban.com.br/sobre

(*2) http://www.kirinichiban.com/about/

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Cuca de Angola e fogueiras de Santo António


A primeira vez que provei a Cuca foi numa festa de Santo António na minha antiga praceta onde durante anos vivi alguns dos melhores momentos da minha infância e adolescência. Sempre existiu esta tradição, onde inclusive carregávamos barrotes de uma antiga casa velha na estrada de Benfica para alimentar a portentosa e enorme fogueira que se acendia ao centro, sob a qual, depois de mais baixa, os mais destemidos saltavam por cima. 

A fogueira da nossa festa
*Foto: Nuno Afonso

A tradição da festa esteve alguns anos parada, mas para nossa felicidade voltou e têm-se mantido mais ou menos regular. Ora foi numa dessas festas que um amigo da praceta trouxe umas quantas latas da Cuca e naquela tarde, com o calor, soube-me mesmo bem, leve, refrescante e com sabor, a marcar a diferença entre as habituais Sagres e Superbock, repetentes do evento.

Junto com as habitués

Nasceu em Angola em 1947. dentro do grupo português Central de Cervejas, tendo sido nacionalizada após a independência angolana, em 1975, e de novo vendida pelo Estado, quase duas décadas depois. (*1). Atualmente é comercializada pelo grupo Castel Angola, um dos maiores grupos cervejeiros de África. (*2) que detém várias unidades fabris espalhadas pelo país como as da Cuca ou da Nocal em Luanda, ou a da Eka, na província do Kwanza Norte.

Das vezes que provei a CUCA (que quando apareceu queria dizer: "Companhia União de Cervejas de Angola"), soube-me sempre bem. De cor dourada com boa carbonatação, formação de espuma branca de uma a dois dedos, e retenção que vai caindo gradualmente. É uma cerveja com aroma muito bom a malte. O Sabor é de malte, milho e com ligeiro amargor. Muito leve com 4,5 % ABV é muito agradável de se beber em dias de calor. Em modo de anúncio diria; "Cuca, sabor de Angola".

(*1) https://expresso.pt/internacional/2018-06-08-Historica-cerveja-angolana-passa-a-ser-vendida-em-Mocambique

(*2) https://grupocastelangola.com/produto/cervejas/cuca/cuca/


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Reviver o passado em Palmela (Aldeana de Cacho Rosé)


A Aldeana de Cacho mistura dois mundos; o do vinho e o da cerveja e nasceu de uma parceria entre a cervejaria do Montijo e a Adega de Palmela. que depositaram nestas cervejas o equilíbrio entra as castas Portuguesas da península de Setubal e a liberdade criativa que a cervejeira apresenta, entre uma partilha de experiencias entre o cervejeiro Miguel Cáceres e o enólogo Luís Silva.
E foi assim que foram lançadas duas Aldeanas; uma de Cacho branco moscatel que conta com mosto de uva branca da casa Moscatel graúdo e a outra a de Cacho rosé Castelão que utiliza mosto de uva desta casta tinta. (*1).

Eu diria que é uma combinação curiosa de dois produtos distintos de duas terras do mesmo distrito de Setúbal, distrito esse que conheço alguns locais relativamente bem, uma vez que o meu Pai era da Moita do Ribatejo, e ora passeávamos por Setúbal, ora passávamos férias em Troia ou visitávamos Palmela, onde muitas vezes íamos almoçar ao "Retiro Azul", restaurante conceituado e de boas memórias de infância e adolescência, com boa comida, em que eu gostava de acompanhar com um Trinaranjus e a cereja em cima do bolo, que era a tão desejada tarte de amêndoa, isto enquanto olhava com atenção aos saudosos desenhos animados do "Dartacão e os três Moscãoteiros" na TV do restaurante e que eu adorava ver.


Cá fora, recordo também aquela deslumbrante imagem do Castelo de Palmela, e na minha imaginação as imagens de batalhas entre Cristãos e Muçulmanos pelas conquistas e reconquistas da povoação e do seu imponente castelo. Do lado oposto no jardim da alameda a curiosa, fascinante e bonita imagem de uma quinta (de seu nome Quinta dos Carvachos) com muitas laranjeiras, com uma mansão enorme, lagos e casa de caseiros, creio eu.



Depois destas boas recordações, vamos então à nossa Aldeana de Cacho, a de Rosé Castelão, gentilmente oferecida por uma colega de trabalho muito simpática. No seu rótulo podemos observar que é uma Portuguese Grappe Ale Castelão Fruit Sour, de cor âmbar, mas também de cor rosé, turva, praticamente sem formação de espuma, carbonatação média/baixa, embora ao inicio exista, mas vá desaparecendo. Com aroma a groselha, a vinho rosé e talvez a cerejas. No sabor nota-se acidez e sem amargor. Com uma graduação de 7,5%. é uma proposta diferente que não estava à espera, mas a cerveja artesanal permite-se a tudo e a fazer todas as experiencias que sejam aceitáveis. Na sua composição temos agua, malte de cevada e trigo (talvez para suavizar), uvas, lúpulo e levedura. 
É uma cerveja mas mais parece um vinho, porque o sabor que tem é praticamente de um rosé ou parecido. 
É mais uma sugestão no vasto mundo das cervejas artesanais.


(*1) https://grandeconsumo.com/adega-de-palmela-e-cerveja-aldeana-lancam-duas-cervejas-de-uva/

https://retiroazul.eatbu.com/?lang=pt

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Palmela

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Matiné com aroma de memórias


A pretexto desta Matiné da Dois Corvos embalo para algo que me soa bem e me traz boas recordações: As Matinés, estas não eram só as do cinema à tarde, das quais eu gostava e ainda gosto muito, tantas e tão boas no cinema Império, para ver um Starwars, um Superman, uma Lenda da Floresta, filme pouco
conhecido do Ridley Scott com o Tom Cruise (*1), em que eu e os meus amigos vínhamos de São Domingos de Benfica como numa excursão ao centro da cidade, ou mesmo nos Alfas triplex e outros cinemas de Lisboa, mas também as matinés das discotecas (*2), como as do Crazy Nights em Picoas, em que juntamente com os meus saudosos e grandes amigos Nuno "Polaco" e Hugo Epifânio, lá parávamos num espaço a abarrotar de gente. Mais tarde, e às 4ª Feiras senão me engano, lá ia com o meu também saudoso e grande amigo Jorge Jardim, depois das aulas no Liceu D. Filipa de Lencastre, às matinés do Central Park, dentro do centro comercial São João de Deus, para num espaço com menos gente e mais confortável para mim, beber um (ou mais) copos de Pisang Ambon com sumo de laranja. 
Que saudades desses tempos meu deus, e que saudades de tantos locais e de tanta gente que partiu desses tempos, de um tempo em que como se costuma dizer era feliz e não sabia.
E aproveito para, com um brilhozinho nos olhos como diria o Sérgio Godinho, mudar a agulha para falar desta cerveja da Dois Corvos.
Trata-se de uma session IPA, que combina malte e aveia, assim como lúpulos mosaic e citra, usando-se o dry-hopping resultando num aroma e sabor de intenso perfil a citrinos e frutos tropicais. (*3)
Para mim é uma das melhores cervejas da Dois Corvos (que provei, é claro), é uma cerveja que se bebe muito bem, é leve, faz uma ótima formação de espuma branca de dois ou mais dedos, uma retenção douradora, de cor dourado escuro, quase límpida e algo turva. O aroma é fantástico a frutos tropicais, é fresco, cítrico, a ananas. Muito bom. Na boca tem essa leveza e facilidade de se beber, mas com amargor acentuado no fim, bem apurada e com personalidade. Com apenas 4.5 % ABV. Quanto à imagem tem o crivo das Dois Corvos, sempre com rótulos extremamente engraçados tanto o da renovada imagem com um urso com óculos 3D ? assim como o anterior em tons mais quentes.




(*2) https://www.dn.pt/vida-e-futuro/febre-de-sabado-a-tarde-vai-voltar-a-estar-na-moda-12488295.html

(*3) https://shop.doiscorvos.pt/products/matine-session-ipa

* Foto do Crazy Nights retirada do seguinte grupo do facebook:

https://www.facebook.com/groups/229079017219788/media



quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Baltika 9 - A cerveja que veio do frio


Lembro-me das vezes que olhava para as cervejas Baltika, nas prateleiras dos supermercados e saltava à vista a imponência dos seus rótulos e a elegância das sua garrafas. Havia de vários estilos, cada uma numerada conforme fosse uma porter ou uma lager, sendo que a mais forte era a numero 9.
É precisamente a Strong Extra Lager que trago aqui. engarrafada pela primeira vez em 1998 (*1), hoje em dia é muito difícil ou praticamente impossível encontrar uma Baltika à venda, devido ao embargo imposto à Rússia por causa do conflito armado com a Ucrânia. Presenciamos pois os horrores de uma guerra, e um futuro incerto desse desfecho com velhos fantasmas da ameaça nuclear a pairar no ar e que quase ninguém pensaria que regressassem. Traz-nos à memória para os dias de hoje a bela e inquietante música: "Russians" que Sting compôs e lançada em 1985. Vale a pena colocar um excerto da letra que infelizmente se aplica à actualidade, mesmo que os intervenientes políticos sejam outros:

"In Europe and America there's a growing feeling of hysteria
 Conditioned to respond to all the threats
 In the rhetorical speeches of the Soviets
 Mister Krushchev said, "We will bury you"
 I don't subscribe to this point of view
 It'd be such an ignorant thing to do
 If the Russians love their children too..."


Bem, mas tentemos nos alhear um pouco, para falarmos sobre o tema principal deste blog e desta Baltika nº 9. que um amigo meu já me tinha dito muito bem. Com Apenas 8 % ABV, é a cerveja mais forte da Baltika que conheço, de cor dourada, uma boa formação de espuma branca de dois dedos, retenção média, aroma com predominância a malte, notei aqui algum aroma parecido a xarope, tem um sabor com preponderância alcoólica, com algumas notas a xarope, alguma acidez e um final de boca com amargor e seco. É uma cerveja que esperava algo de diferente mas é de facto uma lager extra forte e não me desiludiu de todo, gostei da cerveja. É forte, tem amarrar, tem presença e fez-me lembrar agora a primeira cerveja forte que bebi e que apareceu em Portugal ai pela segunda metade dos anos 90, a Tuborg Strong beer com 7.2 % ABV. Confesso que naqueles tempos não estava  muito preparado para ela ou não a sabia apreciar, e não gostava muito, era demasiado forte, mas esta Baltika ainda com mais teor alcoólico é bem superior.


(*1) https://eng.baltika.ru/products/baltika/baltika-9-strong/?Ckey=38282

https://www.bierverkostung.de/bilder_bier/454_2005-09-10_Tuborg_Strong_Beer.jpg

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

What´s This, what´s this, there´s color everywhere


Ora cá está uma cerveja que a achei engraçada, destacando-se visualmente das demais que eu vi nas prateleiras do El Corte Inglês e me despertou curiosidade. De seu nome Tête de Mort (a caveira que normalmente esta associada ao simbolismo da morte, de perigo, da famosa Jolly Roger (*1), das festividades do dia dos mortos no México, mas que aqui na imagem de marca da cerveja não assume o aspeto assustador, mas simpático e com piada). 

Agora veio-me à memoria o The Nightmare Before Christmas do Tim Burton (*2) que gostei imenso e que eu e os meus amigos o fomos ver ao saudoso King Triplex há quase três décadas, e que se revelou uma inesperada e agradável surpresa. Naquela noite, apesar de o assistirmos na primeira fila de uma das salas do cinema repleta de gente, saímos todos maravilhados com aquela deliciosa animação "negra" e com a sua banda sonora que me ficou na memória, principalmente este encantador "Whats This".

Passando desta associação do passado (...que saudades), sobre a figura do Jack Skellington e a imagem da Tête de Mort, falemos um pouco da cerveja; É produzida pela Brasserie du Bocq, uma das cervejaria mais importantes da Valónia, que também fabrica a Blanche de Namur de que falei num post anterior. (*3)

É uma cerveja frutada, faz lembrar as cervejas de cereja, como a Kriek, de cor vermelha com boa formação de espuma branca e retenção que perdura durante algum tempo e que depois vai naturalmente desaparecendo, carbonatação média, alguma transparência. Aroma frutado de notas a frutos silvestres, a cereja, a groselha. Sabor a frutos silvestres, um bocado rosé mas adocicado, com ligeira acidez mas depois adocicada e com final de boca seco com "apenas" 8,2% ABV. 

Eu sinceramente gostei da cerveja, não sei se beberia outra a seguir ou talvez até bebesse, pois pode parecer algo enjoativa, mas eu gostei.


(*1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Jolly_Roger

(*2) https://en.wikipedia.org/wiki/The_Nightmare_Before_Christmas

(*3) http://www.bocq.be/en/#biere-tdm-red



sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Italian Pale Ale


E da Bella Itália chega-nos esta IPA. Comprada no Lidl e produzida em Riccione, uma comuna Italiana da região da Emilia-Romanha. 

O nome desta região fez-me lembrar o antigo grande prémio de formula 1 de São Marino em Imola  que regressou ao campeonato mundial em 2020 agora renomeado de GP da Emilia Romanha, e evidentemente marcado pela triste recordação e memória do trágico acidente do nosso saudoso e querido campeão Ayrton Senna em 1994. Ainda me recordo bem desses dias de comoção desde os fatídicos acidentes, pois nesse fim de semana também morreu em pista Roland Ratzenberger, até ao enorme funeral no Brasil no ultimo adeus do povo Brasileiro ao seu grande Tricampeão, e vencedor do seu 1º GP no Estoril à chuva. Para mim um dos meus pilotos favoritos de todos os tempos e um dos melhores do mundo, senão mesmo o maior. Inesquecível.

Mas voltando à cerveja, pouca informação consegui obter dela, portanto sem mais demoras vamos à minha avaliação: Não defraudou as minhas espectativas, correspondeu àquilo que eu estava à espera, é uma IPA muito boa de se beber com dois dedos de espuma branca, boa retenção, cor âmbar, alaranjado, turva. carbonatação média. Aroma a lúpulo com notas cítricas a limão e a toranja. sabor suave, acabando em final de boca com amargor e seco. Com 6.1% ABV. Excelente cerveja.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Riccione

http://target2000.net

https://www.ratebeer.com/beer/italian-ipa-pale-ale/276084/

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Super Bock Oktober Edition Helles


Não, ainda não foi desta que a Super Bock conseguiu uma receita que me agradasse no que toca a edições da Oktober edition, pelo menos com a qualidade que já demonstrou na excelente edição comemorativa dos 90 anos e a condizer com a grande qualidade da maior parte das cervejas produzidas na Baviera. É certo que não sou conhecedor de muitas cervejas do estilo Helles, mas por exemplo quando equiparada com uma Spaten Helles deixa muito a desejar.

Já agora a título de curiosidade, Helles é um estilo de cerveja tradicional de Munique, de cor amarelo médio a ouro claro, com sabor a cereais e malte pilsen predominante e com amargor baixo a médio-baixo. (*1). Precisamente este é o estilo que os mestres cervejeiros da Super Bock tentaram recriar para esta segunda edição que é caracterizada por cor dourada, espuma cremosa e persistente, apresentando-se com um perfil maltado e doce, e o toque amargo dos lúpulos de notas herbais e cítricas. (*2) 

É pois de louvar a continuidade destas edições especiais pela Super Bock, que muito aprecio, e concretamente em relação a esta grande festa Alemã é das poucas marcas no nosso país a fazê-lo, mas confesso que depositava algumas expectativas nesta cerveja, já que a anterior não me tinha agradado, e apesar de ser um pouco melhor que a antecessora Märzen, ainda não foi desta que consegui afastar mais uma desilusão. 

É uma cerveja de cor dourada, com boa formação de espuma branca, carbonatação baixa, aroma característico do selo Super Bock, facilmente reconhecido por este aroma a malte, um pouco cítrico e herbal talvez. Sabor a malte, mas seco com amargor no fim, parecendo existir um certo desiquilíbrio entre o sabor do malte e o amargor. A informação do rotulo também deixa a desejar, pois tive de por os óculos para ver a informação da graduação alcoólica (4,9 % ABV). Apesar disso tem um rotulo bonito. 

Volto a frisar que é uma ideia engraçada da marca de Leça do Balio, mas continuo a ficar um pouco com as expectativas defraudadas, e isto muito por culpa da edição dos 90, porque depois desta fasquia elevada tudo o que veio depois (Oktober e Christhmas editions) não atingiram aquela qualidade, e atenção nada contra a Super Bock que sempre adorei e quem me conhece sabe bem a preferência que tive ao longo de muitos anos, de maneira que espero que continuem com estas edições e cá estarei para experimentar as próximas edições especiais.


(*1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Helles

(*2) https://www.superbockgroup.com/produto/super-bock-oktober-edition-helles/ 



sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Dark Phoenix


Não só temos Grimbergen em dose dupla (ver post anterior) como também temos uma Double Ambrée, uma cerveja de Abadia Belga, com carácter de frutas maduras e marcadamente maltada, com boa acidez. De perfil perfumado cativante e licoroso, equilibrada entre o amargo e os aromas maltados e florais. (*bonito cartão de visita na store da Super Bock).

Tendo já contado um pouco da sua história, gostava de deambular pela sua imagem de marca; A Fénix. Segundo a mitologia Grega era um pássaro que quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, ressurgia das próprias cinzas. outra característica era a força, o que lhe permitia carregar cargas muito pesadas enquanto voava, contando algumas lendas que chegaria a transportar elefantes. Finalmente poderia transformar-se numa ave de fogo. (*1)

Mas como grande fã de comics não poderia deixar passar também a excelente Saga da Fénix Negra, escrita e desenhada respectivamente pelos lendários Chris Claremont e David Byrne para a Marvel e um marco na história dos X-Men. (*2)

A minha prova: de cor âmbar escuro, avermelhado diria também, com boa formação e excelente retenção de espuma bege, com 6,5% ABV, não muito forte. Aroma a caramelo, talvez frutos secos e sultanas. Sabor a malte, açúcar caramelizado, que faz parte da sua composição, açúcar amarelo e com final de boca seco a combinar com algum amargor, mas apesar de encorpada, é uma cerveja muito fácil de beber e diferente da irmã Blonde. Bastante agradável de se beber

* https://store.superbock.pt/pt/pt/cerveja-grimbergen-double-ambree

(*1) https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9nix

(*2) https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Saga_da_F%C3%AAnix_Negra


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Fénix renascida


Tal como na mitologia Grega em que a Fénix renasceu das cinzas, os monges da abadia de Grimbergen a norte de Bruxelas ressuscitaram a cerveja que estava "morta" há 220 anos, usando a mesma receita antiga.
Mestres cervejeiros desde o Sec. XII, conta-nos a história que durante um momento de aflição durante a revolução Francesa e antes que a biblioteca fosse destruída esconderam livros com receitas num local secreto (um buraco escavado na parede) e escapar dessa forma à destruição de um incêndio. Quando a Abadia de Grimbergen voltou a funcionar e apesar dos livros recuperados, a receita não voltaria a ser produzida. Com o passar do tempo deixaram de produzir cerveja, de a saber fermentar e até há bem pouco tempo nem sabiam onde estavam os livros. Uma vez localizados depararam-se com outro problema, como estavam escritos em Latim e Holandês antigo perceberam que tinham deixado de saber ler as receitas. Após quatro anos de investigação foi possível recuperar a receita e ressuscitar a cerveja, com os ingredientes naturais e os métodos de fabrico de antes, mas adaptada ao gosto do consumidor do XXI, porque a cerveja que se consumia há dois séculos era mais ou menos como pão liquido. (*). 
O mosteiro foi fundado no ser. XII e ardeu três vezes. Por ter ficado em cinzas, mas nunca ter desaparecido faz-se representar por uma Fénix.



Ora bem então passemos à prova que fiz da Grimbergen Bonde, comercializada pelo grupo Carlsberg, e distribuída em Portugal através da Superbock (Corrijam-me se estiver errado). É uma cerveja de fermentação alta com um rótulo bastante bonito da fénix. Cor âmbar, com um dedo de formação de espuma branca, boa retenção apesar da espuma descer mais depressa que esperava, carbonatação média, aroma floral, caramelizado, e também a banana. Sabor adocicado a caramelo, e final de boca com algum amargor e seco, característico das cervejas Belgas, e embora diferente, faz-me lembrar de alguma maneira a leffe. Cerveja bastante agradável com 6.7 % ABV. 

https://www.dn.pt/mundo/a-cerveja-estava-morta-ha-220-anos-e-os-monges-ressuscitaram-na-10929945.html

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Mac Mahon (2M)


E assim chego ao 100º post deste blog, muito bem assinalado e representado por esta Moçambicana, a 2M. 
Concebida na CDM - Cervejas de Moçambique, a 2M começou a ser produzida em 1965 em Maputo, e o seu nome deve-se em homenagem ao ex-presidente Francês Marie Edmé Patrice Maurice, Conde de Mac Mahon, que enquanto presidente de França decidiu em 24 de Julho de 1875 a favor de Portugal numa disputa com a Grã-Bretanha relativamente à posse da região sul de Moçambique (*1).


Para além do nosso Pais e da Africa do Sul é também vendida em Inglaterra (em parceria com a cadeia de restaurante "Nandos". É ainda patrocinadora do Moçambola, o campeonato Moçambicano de futebol. (*2)


É uma cerveja de cor dourada, clara, transparente, formação de espuma branca, com retenção pouco duradoura e boa carbonatação. Aroma a fazer lembrar pão. O sabor é leve, bastante leve até (também só tem 4,5% ABV) suave, adocicado e com ligeiro travo de amargor no fim. É refrescante (bebia-a num dia em que esteve bastante quente) e é boa de se beber quando o calor aperta. (Imagino que nos dias mais quentes em Moçambique saiba muito bem) É uma garrafa que apresenta um rotulo e uma imagem engraçada.