segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Benediktiner Hell


Imperdoável mas ainda não tinha bebido nenhuma Benediktiner até me aparecer esta tentadora Hell à frente. Por ainda não ter visto nenhuma destas, a não ser a Weissbier e Dark (que também um dia irei prova-las e quem sabe fazer um post - Levei-a logo comigo.
Verdade que fiz a prova meio à pressa pois tinha vindo de uma tarde de sábado a trabalhar e tinha combinado com um amigo numa esplanada. Estava uma daquelas tarde de calor a pedir uma cerveja bem fresca, pena que o frigorifico lá de casa não estar a deixa-las no ponto e qualquer dia compro um daqueles mini frigoríficos para garrafas
A história desta cerveja de trigo remonta à abadia beneditina do mosteiro Ettal. Tem sido uma receita tradicional desenvolvida pelos monges desde há 400 anos. A tranquilidade do mosteiro, situado a 877 metros, uma filosofia de tratar a natureza e as matérias-primas com respeito e as coisas  e a atenção Beneditina ao detalhe fazem esta cerveja ser especial até aos dias de hoje. 
Os princípios Beneditinos básicos são: Estar calmo e reservar um tempo para aproveitar as coisas boas da vida, ter cuidado em tudo o que se faz e respeitando todas as pessoas e coisas.

*imagem retirada do site 
https://www.benediktiner-weissbier.de/en/our-history



Tão agradáveis princípios dão forçosamente origem a boas cervejas como é o caso desta Hell, (que nada tem de profano) e que se caracteriza por ser uma cerveja leve, sabor maltado e adocicado.
E foi assim que retirá-la do frigorifico surgiu o esplendor da sua cor amarela. transparente, boa formação de espuma de três dedos, retenção com rendilhado no copo, aroma a malte de cevada com notas a banana, sabor a malte de cevada com alguma acidez e um final de boca com algum amargor e algo acentuado. Cerveja refrescante co 5 % ABV. Muito boa, tipicamente como as cervejas Alemãs que são sempre imagem de qualidade  


https://www.benediktiner-weissbier.de/en/our-history


quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Abbaye de Vauclair IPA


Tendo já experimentado a Abbaye du Vauclair Imperiale, despertou-me a curiosidade esta IPA que vi no lidl e que desconhecia existirem mais estilos.
Depois de ter feito algumas pesquisas pela internet, lá se abriram um pouco mais as cortinas acerca da produção desta marca para o Lidl, e ao que parece quem está por trás é a conhecida cervejaria Francesa Brasserie Goudale (*1), da qual já tive oportunidade de experimentar a Goudale IPA, e que também produz a Belzebuth a qual ando a ver se a apanho por ai à venda. (*2)

Com 7% ABV é uma IPA forte. de Cor Amarelo escuro, alaranjado, âmbar também se poderá dizer, um pouco turva. Faz uma boa formação de dois a três dedos de espuma branca e uma retenção média que deixa um bom rendilhado no copo. Aroma frutado, cítrico, um pouco a toranja e maltado. Pelo paladar sobressai um gosto lupulado, logo tem um amargor acentuado e no final de boca talvez um pouco seco. É uma IPA um pouco diferente com um contraste entre o adocicado e o amargor, mas nota-se aqui que tem um certo adocicado. Uma referência de sabor a casca de laranja que faz parte da sua composição e o açúcar. 
Digamos que não é má, mas que corre o risco de poder tornar um pouco enjoativa por ser algo doce, especialmente se tivermos a beber uma garrafa de 75 cl que foi o caso. Mas pronto pela relação qualidade preço é uma cerveja até bastante razoável. 

(*1) https://www.rayon-boissons.com/actu-flash/distribution-lidl-met-en-avant-son-abbaye-de-vauclair-imperiale-en-biere-du-mois-49895

(*2) https://brasserie-goudale.com/

sábado, 5 de agosto de 2023

Zambujeira e a rota do Litoral (Abbaye de Vauclair)


É a terceira vez que experimento esta cerveja que me foi mostrada pela minha irmã e que eu provei pela primeira vez na Zambujeira do Mar, numa tarde de verão, no quintal de uma casa muito agradável que alugamos. A Zambujeira é um sitio de que gosto muito, uma vila pequena, acolhedora, simpática e com muita riqueza natural, praias belas e recônditas, escarpas sobre o mar com monumentais vistas para o oceano e um por do sol deslumbrante. 

Praia da Zambujeira do Mar

Quando vinhamos de Lagos o meu Pai gostava de fazer o caminho do litoral Algarvio e Alentejano bem cedo e a Zambujeira do Mar era quase sempre um local de paragem para tomar o pequeno almoço depois de passarmos por Aljezur, Rogil e Odeceixe era seguir por Vila Nova de Milfontes, Porto Covo, São Torpes e avistava-se Sines para depois entrar na estrada que ia para Troia, passava-se por Pinheiro da Cruz, Comporta, e daí entrar no ferry boat que atravessava o rio Sado ou azul como também é conhecido. Também acontecia fazermos o caminho inverso a caminho do Algarve. Era uma viagem arejada, com estrada coberta de sombras das árvores em alguns trajectos e não era tão saturante como ir pela A2 pois dava para ir vendo a paisagem e as belas vilas do sudoeste Alentejano e parar nalgum local. Há alguns anos fiz essa mesma viagem com a minha Mãe e os meus Tios. 

*Fontes das imagens (*1) (*2) (*3) (*4)

Infelizmente à data que escrevo estas linhas tem deflagrado um incêndio muito grande pelo concelho de Odemira que já fez arder muitos hectares daquela zona e estendeu-se ate Monchique. 
Mas voltando ao nosso tema central fiquei impressionado e gostei muito da garrafa de 75 CL. num preto baço. Não fazia ideia ao inicio que era comercializada apenas para o lidl, mas no que diz respeito à produção pouco mais sei do que vem na garrafa, cujo nome usado, Abbaye De Vauclair,  poderá ter referências a um mosteiro cisterciense fundado em 1134 por São Bernardo de Clairvaux a pedido de Barthélemy de Jur , bispo de Laon. E localizava-se no que é hoje a comuna de Bouconville-Vauclair  em França. (*5) Mas isto é apenas a associação que faço do nome da cerveja com a referida abadia que existiu ou seja sem confirmação de informações que pesquisei pela web.


A segunda vez que a experimentei foi num verão em Lagos e tinha uma ideia diferente na minha cabeça de que era uma cerveja loura, turva e eis que me deparo com uma cerveja de cor ruiva e aroma caramelizado.
É uma cerveja de cor âmbar, límpida, transparente com dois a três dedos de espuma branca, boa retenção e boa formação de espuma. Aroma malte, a caramelo, a rezina.
O sabor nota-se a presença dos 7,5% de álcool, uma cerveja a começar para o forte, um sabor caramelizado e com algum amargor no final de boca.
Na sua composição, que se pode ler na garrafa, é elaborada para além dos ingredientes habituais como água e lúpulo, tem a curiosa combinação de vários cereais como o malte de Cevada, trigo, centeio e aveia, mais xarope de glicose, extrato de coentros e de laranja. Que receita. 
Faz-me lembrar a Abadia da Super Bock, mas mais forte. 
Provei-a em boa altura porque já estava fora de prazo e tinha de fazer esta prova antes que começa-se a perder qualidade. 
É uma cerveja muito agradável de se beber mas fazia uma ideia diferente de quando a bebi nas primeiras vezes. 










quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Irish Craft Pale Ale


Volto a esta marca Irlandesa, depois de ter experimentado a excelente IPA, sendo que por isso as expectativas eram altas. Como já tinha falado nesse post, são exclusivas dos supermercados Lidl e foi de lá que trouxe esta ale Ale. O nome da cervejaria é a Rye River, que produz vários estilos desde 2013 com a chancela The Crafty Brewing Co.


De facto não tenho andando muito entusiasmado com as provas desde a morte da minha gatinha Jamilinha, para além de ultimamente não andar muito bem dos intestinos, o que fez com que bebesse esta cerveja já fora de prazo, mas mesmo assim ainda em perfeitas condições. Começo por dizer que é uma excelente cerveja, o que não era de esperar outra coisa desta marca dos rapazes de bigode, desta vez uma Pale Ale com 4,5% de cor dourada quase âmbar, excelente formação e retenção de espuma branca. Um pouco turva, Aroma frutado e fresco a citrinos, toranja e maracujá. Sabor frutado, refrescante e lupulado mas muito fácil de beber. Amargor em final de boca.
Uma Irlandesa que já ganhou uma medalha de prata e de bronze no world beer awards.
Não defraudou as minhas expectativas de maneira nenhuma.


quinta-feira, 20 de julho de 2023

Madrid, Madrid, Madrid...(e viagens de família à capital Espanhola)


Muito se pode escrever ou falar de uma cerveja com o nome MADRÍ, mas antes de tudo vou aproveitar para invocar a memória do meu Pai e as suas viagens que fazia de férias com os amigos a Espanha, cujos postais que ele enviava aos meus Avós, guardo-os comigo. Ora é num desses postais de visita à monumental cidade de Madrid, datada de 6 de Maio de 1957, que o meu Pai fala: "dos seus edifícios imponentes (assim me parece escrito), muito movimento, parques, museus, muitos estabelecimentos bons e muita coisa para ver". O postal que aqui coloco, mostra a panorâmica da praça de Cibeles e a Calle de Alcalá. Não podia deixar de referir, como adepto de futebol, paixão que herdei do meu Pai, é precisamente na fonte de Cibeles que esta deusa testemunha as grandiosas conquistas do Real Madrid e palco de festejos dos seus adeptos.



Também eu fui a Madrid em 2012, juntamente com a minha Mãe, uma das minhas irmãs e o meu cunhado, e estou em total sintonia com as palavras assertivas do meu saudoso Pai; a imponência dos seus edifícios e a sua arquitetura me encantam como os Espanhóis gostam de dizer, é uma cidade com enorme agitação nas suas movimentadas e grandes avenidas. Tanto no postal de 1957 como numa das fotos postadas, aparece o icônico edifício Metropolis, imagem de marca da cidade e essa curiosa ligação, separadas por 55 anos, entre a viagem do meu Pai e a minha. Uma referencia ainda ao monumental e austero Mosteiro do Escorial, símbolo máximo do reinado de Filipe II, mandado construir para comemorar a vitória na batalha de San Quintin, em 1557. sobre as tropas de Henrique II, rei de França e para servir de lugar de enterro aos restos mortais de seus pais, Carlos V e Isabel de Portugal, assim como os seus e dos seus sucessores. [*1] Para além do meu interesse histórico, relembro um livro que os meus pais compraram, e que me serve de referencia em viagens, sobre as grandes maravilhas do mundo onde lá estava o "El Escorial"

Entrando na "máquina do tempo" e recuando novamente à época da visita do meu Pai, aproveito para falar de uma das músicas mais emblemáticas; a canção ou melhor a Chotis [*2] (música e dança originária na Boêmia) "Madrid", composta pelo Mexicano Agustín Lara, estreada em 1948 e com uma versão que fez parte do filme "La Faraona" [*3] (de 1956, um ano antes da visita do meu Pai), interpretada pelo próprio Agustín Lara e pela bailarina, cantora a actriz Lola Flores, que aqui deixo neste delicioso vídeo.



Depois de tanta coisa bonita e boas lembranças que esta bela cidade nos trazem, foquemo-nos  nesta cerveja que não conhecia e que me foi oferecida pela minha irmã mais nova. 
De seu nome MADRÍ Excepcional, faz alusão à alma desta grandiosa e movimentada cidade, mas também aos "Chulapos" um grupo de pessoas da sociedade espanhola do séc. XIX famosos pelo estilo de vestir elaborado e atitude atrevida, tão bem ilustrado no belíssimo rotulo da garrafa. 
Hoje em dia é um termo usado para se referir a qualquer madrileno que reflita essa personalidade, estilo e atitude que perdura na Madrid moderna. [*4]

Produzida pela La Sagra numa elegante garrafa, é uma cerveja com 4,6% ABV, abaixo da graduação e do amargor que é costume em Espanha, com uma excelente formação de espuma branca, retenção média. Cor dourada e transparente. Aroma a malte e com sabor idêntico, suave e amargor moderado. Este sabor suave pode ter a ver com o facto de ser produzida com malte de trigo. É muito agradável e mão me importava nada de a beber em Madrid com umas belas tapas a acompanhar, mas já me dava por satisfeito se a encontrasse à venda por aqui mesmo.



quinta-feira, 29 de junho de 2023

Cerveja Nocal e Museu da Cerveja


Creio que a primeira vez que me dei conta da existência da Nocal foi no museu da cerveja no Terreiro do Paço em Lisboa, na altura em que o menu de cervejas daquele restaurante contemplava as de Portugal continental, insular e de países oficiais de língua portuguesa. Tinham um vasto leque originárias de Angola, Moçambique, Açores, Madeira, Brasil, etc...Um conceito do qual eu apreciava muito e que hoje infelizmente já não é assim, embora a aposta seja agora nas artesanais nacionais o preço de cada não é nitidamente para o bolso do Português comum. 

Copo Júlio Pomar
https://www.museudacerveja.pt/museu/

Relevo o curioso copo exclusivo do museu assinado por Júlio Pomar, com a forma de uma meia garrafa invertida revestido a vidro, e o próprio museu, que tive oportunidade de visitar e que faz jus ao imenso e rico patrimônio histórico e legado cervejeiro do nosso país, ali se pode seguir em painéis a evolução histórica desta bebida e alude as principais marcas com raízes nacionais. pelo menos assim me pareceu.

No final uma pequena prova de uma Sagres Bohemia em copo de barro que ainda guardo, servida por um monge numa sala a simular uma adega monástica. Apreciei muito e gostaria de lá voltar um dia.


Monge Museu da Cerveja
https://www.museudacerveja.pt/museu/

Copo de barro oferecido

Regressando à Nocal, é produzida desde 1960 e a segunda cerveja a ser produzida em Angola e por isso uma marca histórica no país. conhecida pela sua qualidade superior é apreciada pelos consumidores mais exigentes. Celebra os bons momentos de convívio e festa, da noite, do Afrobeat, do Afrohouse, celebra o poder de escolha e de quem sabe o que quer. (*1). Como a Cuca, faz parte do grupo Castel Angola.

É a segunda cerveja de Angola que bebo depois da Cuca, é uma cerveja de cor dourado claro, transparente e boa carbonatação, boa formação de espuma de dois a três dedos de espuma branca, boa retenção, ficando um rendilhado de espuma no copo. Aroma a malte e um bocadinho cítrico. Sabor de malte, um bocadito metálico e com ligeiro amargor no final. é uma cerveja leve e refrescante com 5% ABV. Cerveja fácil de beber e de boa qualidade 


(*1) https://grupocastelangola.com/produto/cervejas/nocal/nocal/ 



quinta-feira, 1 de junho de 2023

Mythos (...e Saudades)


O post sobre esta cerveja não me é particularmente feliz, não por a cerveja ser desagradável mas porque na altura em que a bebi, já lá vão dois meses, estava a poucos dias de lidar com a morte da minha gatinha mais velha e de que eu tanto gostava; a minha Jamila. Muitas das vezes que eu me sentava para saborear uma cerveja lá vinha ela, e sem pedir licença aninhava-se ao meu colo, e eu às vezes ralhava-lhe por não me deixar desfrutar o momento, mas eu não resistia e ela lá ficava. 

A minha Jamilinha, para sempre muito especial

Trouxe-a de Lagos, no Algarve, depois de ter aparecido esfomeada e abandonada em cima de um muro, seguiu-nos, e depois do meu Tio lhe ter dado comida não mais nos deixou e ali ficou pelo jardim da casa da minha Tia. Recordo-me da piada que era vê-la a trepar uma palmeira. A decisão de trazê-la foi das melhoras que tomei na minha vida e este post apesar de ainda me fazer sentir muito triste é também uma homenagem ao amor incondicional que nos deu ao longo de quase 12 anos. Era e será sempre muito especial.

A Palmeira no jardim da vivenda da minha
Tia em Lagos, em que a Jamilita trepava

Voltando à cerveja, a de que falo neste post é a Mythos, de origem grega. Tem uma história recente, nascida nos anos 90, mais precisamente em 1997, em que causou imediatamente boa impressão nos consumidores e quebrar o status quo de outras cervejarias estabelecidas ao tornar-se numa alternativa mais "cool". A receita da Mythos resulta da combinação e experiência da mestria cervejeira Grega em junção com o know-how adquirido devido à suas colaborações com a maioria das escolas europeias como a Alemã, a Irlandesa, a Dinamarquesa e a Francesa. Após longos testes a Mythos criou uma receita original que oferece uma cerveja fácil de beber, espuma rica, cor loiro e brilhante e um incrível sabor. É exportada para mais de 30 países no mundo. (*1)

Garrafa verde com um rotulo engraçado e com o símbolo de um unicórnio, cor dourada, amarelo, boa formação de um a dois dedos de espuma branca e retenção médio/baixa. Aroma a malte e a milho. Sabor a cevada, malte, refrescante, suave, com algum amargor de boca no final seco. Com 4.7% Vol. de álcool. É uma cerveja refrescante e agradável.

(*1) https://mythosbeer.gr/en#history

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Praxis e tradição cervejeira de Coimbra


Corria o ano de 2016 de boa memória e foi ali na pastelaria Flórida, que antes de ir jantar fora para ver um jogo de futebol na tv, experimentei ao balcão a Praxis Âmbar, recordo de na altura me ter agradado, uma cerveja de cor ruiva, encorpada e sabor acentuado servida numa garrafa com óptimo aspecto semelhante a uma garrafa pequena de vinho.


Passados sete anos voltei a bebê-la, fruto de uma oferta, e existia já essa prova de que voltaria a sentir o mesmo, mas eis que, inesperadamente não foi isso que senti, para minha desilusão. Foi uma cerveja um pouco diferente, penso que com menos graduação alcoólica, de cerca de 6% na altura para os 5,6% actuais, inclusive terei visto qualquer coisa na app ratebeer a confirmar isso. É uma cerveja produzida com água de Coimbra, cevada maltada, lúpulo e leveduras e 16 IBU. De cor âmbar e turva de carbonatação quase inexistente, formação de um dedo de espuma quase bege de pouca retenção e pouco duradoura. Aroma a açúcar caramelizado, caramelo, sultanas, talvez enchidos. Sabor a toffee, café, algo aguado, com acidez e amargor em final de boca que perdura. Como referi, fiquei com melhor impressão da primeira vez que a bebi, não sei se seria só pela diminuição do valor alcoólico ou alteração da receita.
Companhia de Cerveja de Coimbra
https://www.centralcervejas.pt/pt/sobre-nos/a-nossa-historia/

A cervejaria, fábrica e museu Praxis foi fundada por Arnaldo Baptista de 71 anos e veio devolver a Coimbra uma herança cervejeira, e mantém por esse motivo também, toda a história nas paredes do museu, desde a criação da companhia de cervejas de Coimbra em 1924, ao momento em que a cerveja substituiu o vinho nas tradições académicas e até aos primeiros passos da Topázio e Onyx. Apesar da ideia ter surgido nos anos 80 e ganhar forma nos anos 90, só em 2009 se tornou real. A ideia de criar a marca surgiu logo após o encerramento da última fábrica de produção de cerveja em Coimbra com o objectivo de preservar o património cervejeiro. A Praxis, gerida por Pedro Baptista, filho do fundador, produz 15 variedades e dispõe de diferentes marcas como é o caso das já citadas Topázio e Onyx, marcas adormecidas e que em 2017 voltaram a ser produzidas. (*1)

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Sabores de Goa


Foi com a expectativa de ser uma cerveja originária de Goa, estado da Índia com fortes ligações históricas ao nosso país, que comprei esta cerveja, mas vim mais tarde a verificar que ao que tudo indica e apesar de mencionar no seu bonito rotulo dourado ser uma "Indian Lager",  é produzida em Itália, por uma tal de Asian food trading,  na verdade pouquíssimas referencias existem acerca desta cerveja.
Mas, aproveitando a alusão a Goa, viajo um pouco pelas minhas memórias nos bancos da escola, e à disciplina de História, uma das minhas preferidas, era pois fruto da minha imaginação, as projeções que fazia na minha cabeça sobre os acontecimentos históricos, de certa maneira ajudava-me na minha parte mais fraca; a memorização de datas e nomes, aí já contava com a preciosa ajuda da minha Mãe, que me fazia uns belíssimos resumos. Entendo que de certa maneira, os factos históricos, ficam bem mais interessantes, se forem um pouco romanceados ou ficcionados, e não poderia deixar de referir o Professor José Hermano Saraiva e os seus pedagógicos programas na RTP que eu adorava, assim como um dos meus livros preferidos; "História concisa de Portugal", em que à medida que ia lendo fazia uma cronologia dos nossos reis, e cuja edição de bolso guardo com grande carinho. 


O período dos descobrimentos era um dos que eu mais gostava, um pouco por também existir aqui uma componente mais técnica, como o aparecimento das caravelas, das naus de outras tantas invenções, assim como essa imaginação, embalada por imagens ficcionadas sobre viagens tumultuosas ou encontros e acontecimentos inesperados. Eram assim abordados: A conquista de Ceuta, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a conquista do Brasil, ou o tratado de Tordesilhas por exemplo. Nestes factos também se inseria a conquista de Goa, uma importante cidade Indiana integrada nas principais rotas comerciais do Oriente que foi conquistada por Afonso de Albuquerque após duas tentativas e forte resistência de forças muçulmanas que controlavam o território, depois da conquista em 1510, a cidade cresceu tendo-se  transformado na capital do império Português da Índia. Em 1961 foi perdida para a União Indiana, mas continua a ter um importante património que a liga ao nosso país. (*1)
Tenho até um Amigo que tem fortes raízes familiares com Goa, e já fomos em tempos a um restaurante chamado "Sabores de Goa" ali para os lados dos Anjos. (*2)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_portuguesa_de_Goa

Mas tudo isto a pretexto de uma cerveja, cuja avalição e prova que fiz foi a seguinte; tem uma cor muito bonita dourada, com um a dois dedos de espuma branca, a retenção não é muito douradora, carbonatação média a fraca, aroma a malte. Sabor também a malte, a cevada, típico de uma lager, com algum amargor mas leve que se bebe muito bem, o que não é indiferente o facto de ter 4,8% ABV. É agradável.


(*1) https://ensina.rtp.pt/artigo/a-conquista-de-goa/

(*2) https://saboresdegoa.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conquista_portuguesa_de_Goa

sábado, 6 de maio de 2023

The Mysterious Sister


Regressamos ao fantástico mundo da steam brew, para falar sobre a ultima (à venda nos lidls do nosso país) cerveja e estilo que me faltava; a Session IPA. É sempre engraçado revisitar este pequeno mundo mais a sua criatividade, a qual julgo já ter ganho um prémio de "German design award special" em 2020, e por isso vale sempre a pena dar um salto ao site, onde também se encontra este delicioso vídeo:


Desta session IPA, vem também a história neste mundo de fantasia sobre a irmã mais nova do "jovem", intitulando-se mesmo com a "irmã", este misterioso membro da resistência, tem atraído as atenções e comenta-se que a nova criação de cerveja; a IPA de Shiny já terá conquistado as ruas. 
Diz-se que terá nascido fora da cidade, tendo sido obrigada a sair do país mais a sua Mãe. A sua reputação como cervejeira talentosa seguiu-a e numa pequena quinta terá aperfeiçoado a sua arte. A sua obra prima evidencia a distancia da cidade, de ligeireza intensamente frutada e frescura primaveril campestre. Quando numa noite foi traída e os agentes da lei seca reduziram a sua quinta a cinzas, conseguiu escapara com a sua mão por uma passagem secreta, após ter sido posta ao corrente da revolução, e do seu irmão deixou a sua Mãe em segurança para se juntar à resistência para os apoiar e dar o seu contributo ao grupo Steam Brew.
Elaborada com o lúpulo "Vic Secret" proporciona notas a frutas exóticas e tropicais.
Quanto à prova que fiz; no copo forma três a quatro dedos de espuma branca, com boa formação e retenção, cor amarelo dourado turvo, aroma fantástico, frutado, a ananás ou abacaxi e também lupulado, herbal. O sabor é suave, light, um pouco águado e de final de boca com amargor e seco. Carbonatação média com 4,9% vol. É o típico registo de uma session IPA (estou-me aqui a recordar da Matiné). É boa, é sempre uma excelente proposta a considerar dentro da qualidade/preço, e naturalmente a repetir.

sábado, 29 de abril de 2023

Cuca Preta (...e a história de Manuel Vinhas, o empresário que fundou a Cuca)


E do país dos nosso amigos irmãos Angolanos eis que chega à prova uma Cuca preta, sinônimo de qualidade desta marca a que já nos habituou, as minhas expectativas não foram pois defraudadas.
"À cor escura e essência encorpada, juntamos um aroma intenso e sabor torrado para produzir uma cerveja preta de eleição para verdadeiros apreciadores.", pode ler-se no site do grupo Castel (*1)


E curiosa é a história que encontrei por acaso na net, sobre Manuel Vinhas, o empresário que fundou a cervejeira Cuca. Conta-nos a história de um descendente de uma família com negócios ligados às industrias, nascido em Lisboa em 1925. Principal acionista da sociedade central de cervejas, fundou em Luanda a Cuca em 1952, numa altura que já tinha em Portugal a Sagres, a Skol no Brasil e a Laurentina em Moçambique, e um império de mais de 52 empresas em ramos tão distintos como a produção de garrafas, criação de galinhas, exploração de vegetais, uma fazenda de maracujá ou plantações de café. Fundou ainda o Banco Comercial de Angola, na altura o edifício mais alto das colónias portuguesas, finalizado em 1967.
Por volta de 1950 a cerveja era importada e a sua introdução em 1956 foi um sucesso imediato. Durante a sua vida leu e escreveu muito. Nos anos 60 foi preso, teve residência fixa e impedido de viajar. Escreveu "Para um diálogo sobre Angola", opúsculo retirado pela censura e conotado de coloborador com os "terroristas" do MPLA. Era a sua teoria que não se devia fazer a guerra em Angola, mas promover o desenvolvimento económico do país.
Após o 25 de Abril, as suas contas bancárias e da sua família foram congeladas deixando a sua esposa sozinha com salários e contas para pagar. De Angola viajou para o Brasil em 1975 onde se exilou. Morre em Salvador dois anos depois com 57 anos.
Um mês depois o seu corpo chega a Lisboa, e os funcionários da sociedade central de cervejas entopem o trânsito da cidade com as suas carrinhas de distribuição para se despedirem do antigo accionista da empresa. (*2). Também a revista Sábado escreveu uma reportagem sobre este empresário, que também foi um humanista, viajante e amante das artes, e da qual deixo o link embaixo. (*3)



Adquiri esta cuca preta em lata no lidl, com 5.5% ABV, é uma cerveja de cor escura, castanho muito escuro e tons de cobre, formação de espuma bege com um a dois dedos, retenção mediana que se vai perdendo mas que deixa um rasto no copo. Aroma a chocolate, a malte tostado, doce, talvez cacau. O sabor é idêntico a malte tostado, com algum amargor mais também algo de adocicado. É uma cervaja que não me desiludiu tal como a cuca normal da qual eu gosto e é uma boa cerveja preta e bem elaborada

terça-feira, 18 de abril de 2023

Nineteen, Vietname, Saigon...(Bia Saigon)


Um nome da Saigon, fez-me vir à memória o videoclip de uma música que esteve no top dos anos 80, era sobre a guerra do Vietname e repetia-se várias vezes a palavra Saigon. Não sei se quem estiver a ler se recordará, mas tratava-se de uma música em estilo "disco". Esta música cujo titulo era "19" e o seu autor era um tal de paul Hardcastle (algo que só notei passados estes anos todos), abordava precisamente a média dos soldados que eram enviados para esta famigerada e dramática guerra (e qual não é ?)


Vários foram os filmes de cinema que abordaram esta guerra de má memória, entre eles, alguns bem marcantes como o "Platton" com os actores; Charlie Sheen, Tom Berenger e Willem Dafoe, o "Born on the fourth of July" com o Tom Cruise, ambos do Oliver Stone, o "Apocalypse Now" do Francis Ford Coppola, com o Martin Sheen, Marlon Brando e Robert Duvall ou o "Full Metal Jacket" do Stanley Kubrick, alguns destes filmes com excelentes bandas sonoras.

https://www.warhistoryonline.com/vietnam-war/apocalypse-now-facts.html

Bem, mudando de assunto e virando a agulha para o principal deste blog; A cerveja, e a que falo aqui hoje, oriunda do Vietname, é a Saigon, ou Bia Saigon para ser mais preciso. É a marca líder da indústria da cerveja naquele país, com cerca de 140 anos de desenvolvimento. O sabor único da Saigon combina o espirito de generosidade dos habitantes daquela cidade e a riqueza da terra do Sul, tornando-a numa parte indispensável do dia a dia. (*1)
Quanto à prova; fez a formação de dois dedos de espuma e retenção média, cor dourada, translucida. Ligeiro aroma a malte como é normal nas lager. O sabor é suave com amargor no final e com sabor também é de malte, é elaborada com arroz, com 4.9% ABV. É uma cerveja que se bebe bem e acredito que saiba bem em ambientes quentes. (Vem-me à cabeça o inicio do "Apocalypse Now" e aquele ambiente abafado e à imaginação um cenário sobre filmes de guerra no Vietname de soldados a beberem uma Saigon nos cafés e bares, sob um tempo abafado e húmido...). A imagem de marca é muito bonita com um dragão sobre um fundo vermelho. Estava com alguma expectativa, e é uma cerveja interessante.

(*1) https://www.sabeco.com.vn/en-US/about-us

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Ginger Joe

 


Na procura que fiz há uns tempos acerca de ginger beers, encontrei a Ginger Joe à venda no site de uma mercearia de produtos importados. Dei-me conta de que as referencias eram positivos e pareceu-me ser uma das mais conhecidas no mercado. Na altura encontrava-se esgotada e um belo dia quando vinha do trabalho, e ao passar numa mercearia de comerciantes Indianos, deparei-me com esta bem referenciada cerveja de gengibre. Com um rotulo engraçadíssimo e peculiar alusivo ao típico "moustache" britânico.   

A Ginger Joe  foi inspirada pelo "Ginger" Joseph Stone , um bigodudo vendedor de verduras em Londres, e ilustre fundador da nobre House of Stone. Conta-nos a história que Joe era fanático pelo tentador sabor da raiz de gengibre,  e que o seu primeiro "mergulho no gengibre" por volta de 1740 produziu uma bebida que chamuscou as pontas do seu bigode, imagem essa imortalizada na garrafa.

A versão que bebi foi a de 4% ABV, mas existe uma, que vi pelo sitio oficial da Stones com uma garrafa igual, mas de 50 cl, e com uns interessantíssimos 8%, simplesmente incrível, e digo já, que se um dia poder provar esta "Stong ginger beer" não me vou fazer rogado, ai não vou não.

De cor dourada claro, formação de espuma de um a dois dedos e uma retenção praticamente nula, que desaparece num ápice (o que é perfeitamente compreensível), o aroma é a gengibre, a ginger ale e a lima limão. Quanto ao sabor faz-me lembrar muito um ginger ale, uma bebida de refresco, adocicado, e com final de boca com ligeiro "piquinho" e ardor na garganta típico do gengibre. Já ouvi dizer que é das melhores ginger beers do mercado, já é a terceira que experimento (a 2ª alcoólica) e acho que é bastante agradável e refrescante de se beber.

https://stonesoriginal.com.au/our-products/stone-s-ginger-joe/